engolir sapos

No sentido formal da expressão, engolir sapos, certamente que deve ser uma tarefa custosa e, sobretudo, dolorosa. Isso é um facto. Mas a locução original, completa, é um pouco mais explícita e, também mais contundente.
Diz ela engolir sapos vivos. Concretamente, engolir sapos vivos acrescenta mais (quanto mais!…) angústia e padecimento ao acto.

Crê-se que a origem da frase estará na praga das rãs, resultante da ira de Deus, na conhecida passagem bíblica, com Moisés no Egipto, aquando da saída dos hebreus para a Terra Prometida; eram tantas as rãs, por todo o lado, que se tornou impossível evitar que elas saltassem para cima da comida e para dentro dos pratos…
Crível esta suposição? Pessoalmente, admito-a como perfeitamente plausível.
Como se a praga refere rãs e o axioma menciona sapos?
Por isso mesmo! É ou não verdade que quem conta um conto acrescenta um ponto? Olhem o tamanho de uma e de outro…
(ver achatar o beque)

 

 

 

(o que for só é amargo se a gente o engole)

está um barbeiro

 

 

 

 

 

 

 

 

 


No norte, especialmente no litoral, toda a gente sabe o que é está um barbeiro.

O vento norte, cerrado e soprado forte das bandas de Espanha, chega-nos à cara, gélido e áspero como se fosse um serrote; daí que não seja estranho se fizer lembrar um barbeiro inepto, com uma velha navalha a desancar a cara do desgraçado freguês.
Aguentar aquele arejo insuportável é o mesmo que estar sujeito a um fúfio barbeiro.
Ou um barbeirinho, como há quem assim diga.
Nas suas Passadas de Erradio, escrevia Ricardo Jorge que chove se Deus a dá e a navalha desbocada de um vento barbeiro rapa os queixos ao transeunte, arrepiando o coiro.

 

 

 

(não hei medo ao frio nem à geada, senão à chuva porfiada)