opinião pública

Há muitos, muitos anos, um comerciante galego chegou ao Porto com a ideia de ali montar uma loja de venda de peixe, uma ‘pescadaria‘, à maneira espanhola. Se assim o pensou, melhor o fez. Arrendou um estabelecimento, aprestou-o do que era preciso, ornamentou-o sem esquecer o vaso de avenca, o santo e a lamparina; e inaugurou-o, satisfeito, depois de colocar sobre a porta uma tabuleta, toda supimpa, onde se podia ler:
Aqui se vende peixe fresco.

Um vizinho, passou, leu, e atirou-lhe, da porta:
P’ra que é que vomecê escreveu que o peixe é ‘fresco’, home?!… Se o peixe não fosse fresco não o vendia, n’um é? Atão…
O comerciante, à tardinha, subiu a um escadote e, com ligeireza e arte, suprimiu a palavra fresco, da tabuleta.
No dia seguinte, um outro vizinho, passou, leu, meteu a cabeça na porta e disse-lhe:
Ó patrão!, ora diga-me cá p’ro que é que a tabuleta diz ‘Aqui’. N’um se vê que é aqui que se vende o peixe, hã?! Dá a parecer que você toma os fregueses por tansos!...
O galego lá foi, à tabuleta, e apagou-lhe o Aqui.
No terceiro dia, chega-se outro, à porta:
É amigo!, habitue-se que não está na sua terra! ‘Se vende peixe’, isso não é bem dito, em português; ‘vende-se peixe’, assim é que é!...
E lá vai o comerciante à tabuleta e, novamente, emenda-a.
‘Vende-se peixe’!… – atira outro, à porta da peixaria – Explique-me para que é que foi lá escrever ‘vende-se’! Já se sabe que vende! Ou isto não é uma loja para vender? Vai dar o peixe? Não vai, pois não?!…
O argumento caiu bem no espírito, já um nada confuso, do lojista. E, na tabuleta, finalmente aliviado da tortura diária, julgava, apagou tudo e apenas escreveu:
Peixe.
Enganou-se. Na tarde seguinte, nova questão, nova censura, novo alvitre:
Por que raio escreveu ‘Peixe’, na tabuleta, hã?!…
É que…
Isso é perfeitamente escusado, homem! Isso é chover no molhado, ‘tá a ver? Não basta ver e cheirar, para toda a gente saber que aqui se vende peixe?!…
O galego não resistiu mais; tirou a tabuleta.
Passado algum tempo fechou a peixaria.
E os passantes, olhavam, olhavam e comentavam entre si:
Falta-lhe o letreiro, o chamariz… Pensam que é só abrir o estaminé e mais nada!…

 

Agosto


É o oitavo mês do nosso calendário e o sexto do calendário romano, por isso também chamado Sextiles, pelos romanos. Mais tarde, deram-lhe o nome de Augustus, em homenagem aos feitos alcançados por aquele imperador durante este mês.
A divindade que lhe preside é Ceres, deusa da Agricultura, filha de Saturno e de Cybele. Os cabalistas dão-lhe por animal, o javali; por ave, o pardal; por árvore, a macieira.

Os espanhóis chamam-lhe Agosto; os franceses, Aout; ingleses, alemães, dinamarqueses e noruegueses, dizem Auguste; Augustus é para os holandeses; os gregos chamam-lhe Avyhoustus; E, em esperanto, é Augusto.
É o terceiro mês da estação do Verão.

Dia 1 (1789) – As constituintes francesas proclamam Os Direitos do Homem;(1828) – Nasce, no Porto, o escritor Arnaldo Gama.
Dia 2 (1575) – É abolida a tença concedida a Camões, por D. Sebastião; (1929) – Nasce José Afonso.
Dia 3 (1492) – Cristóvão Colombo parte para a sua viagem, que pretendia, a caminho da Índia; (1831) – Entrada do exército liberal, na cidade de Ponta Delgada.
Dia 4 (1578) – D. Sebastião é derrotado e desaparece em Alcácer Quibir; (1914) – Começa a I Guerra Mundial; (1917) – Morre Augusto Rodin, ilustre escultor francês, autor de numerosas obras, entre as quais o Pensador, Os Burgueses de Calais e a Catredal.
Dia 5 (1397) – Nasce Jean Gutemberg, inventor da impressão moderna.
Dia 7 (1415) – Chega a Faro, a esquadra de D. João I, que seguia para a conquista de Ceuta; (1588) – No Canal da Mancha, é destruída a Armada Invencível, que Filipe II, de Espanha, enviou contra a Inglaterra.
Dia 8 (1724) – O padre Bartolomeu de Gusmão faz a sua primeira ascensão aerostática.
Dia 9 (1908) – Suicida-se o escritor Trindade Coelho.
Dia 10 (1500) – Diogo Dias descobre a ilha de Madagáscar; (1792) – O povo, em Paris, proclama a República, tomando de assalto as Tulherias.
Dia 11 (1743) – Nasce Lavoisier, célebre químico francês.
Dia 14 (1385) – Portugueses e Castelhanos defrontam-se em Aljubarrota.
Dia 15 (1431) – Gonçalo Velho chega à Ilha de Santa Maria, nos Açores.
Dia 16 (1534) – Inácio de Loiola, Francisco Xavier, Pedro Favre, entre outros, fundam na igreja de Montmartre, em Paris, a Companhia de Jesus; (1867) – Nasce António Nobre.
Dia 17 (1531) – É estabelecida, em Portugal, a Inquisição; (1710) – Morre o padre Manuel Bernardes; (1900) – Morre Eça de Queiroz.
Dia 20 (1415) – A esquadra de D. João I fundeia defronta da cidade de Ceuta.
Dia 21 (1415) – D. João I toma a cidade de Ceuta; (1911) – É votada a Constituição Política da República Portuguesa.
Dia 24 (1820) – Fernandes Tomáz, chefia a revolução liberal, no Porto; (1894) – Morre Oliveira Martins; (1912) – Morre Bulhão Pato.
Dia 25 (1757) – Começa a construção da Igreja de Santo António da Sé, em Lisboa.
Dia 26 (1508) – Afonso de Albuquerque entre em Ormuz.
Dia 28 (1481) – Morre o rei D. Afonso V.
Dia 29 (1641) – O Marquês de Vila Real, o Duque de Caminha e o Conde de Armamar, e mais uma dezena de conspiradores, são enforcados por implicados na conspiração contra D. João IV, que visava entregar Portugal, de novo, a Castela. (1577) – Morre Pedro Nunes.
Dia 31 (1481) – D. João II é aclamado rei de Portugal.