é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha…

É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino do Céu. Esta frase, embora referida por Mateus (19:21) é integrada na conversa de Jesus com o jovem rico (Lucas 18:30), numa referência ligeiramente diferente: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Pois mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.
Em quaisquer das alusões, porquê passar um camelo pelo fundo de uma agulha? E, já agora, porquê exactamente um camelo?
Ora, na verdade, há aqui um erro na tradução, sabido e documentado desde Cirilo de Alexandria (378-444) que explicou que, no original grego, está escrito que Jesus falava na impossibilidade de uma corda (ou um cabo) passar pelo fundo de uma agulha. No Grego, kamilos significa corda, cabo, fio, ao contrário de kamélos, esta palavra, sim, significar camelos.
Será esta a explicação?
Entretanto, como agulhas também se denominavam as pequenas e estreitas entradas nos muros das cidades, onde um animal de grande porte, como um camelo, muito dificilmente passaria.
Será esta a… agulha?
Qual será, afinal, a mais assertiva?…
De qualquer modo, a partir de uma errada tradução e ou interpretação para o latim, a sentença passou assim, tal como a conhecemos, a todas as outras línguas e, com alguma naturalidade, persistiu até hoje.
Esta é a única certeza em torno da génese da expressão.

A propósito, s
abida a enorme capacidade de retenção líquida dos camelos, sempre houve alguma discussão sobre o modo como esta se processava. Embora o aparente mistério esteja há muito resolvido, o facto é que poucos sabem que, ao contrário do que é geralmente suposto – estar a solução nas suas duas corcovas – tudo se explica no seu focinho: as cavidades nasais deste viajante do deserto têm uma enorme capacidade de dilatação, aumentando assim, e muito, a superfície respiratória. Durante a noite, as cavidades nasais do animal absorvem a humidade contida no ar que ele expira. O camelo é um dos pouquíssimos animais capazes de realizar este processo de extrair água da própria respiração. Longos canais respiratórios agem como um sistema de refrigeração do ar, mantendo-o a uma temperatura bem mais baixa do que a do seu corpo. Se o ar exalado fosse quente e húmido, a evaporação da água seria completa. O camelo, diga-se em complemento desta curiosidade, consegue reter 70% dessa água!… 

(muito vai de Pedro a Pedro)

paciência de Jó

paciência de JóÀs vezes bem precisamos dela! Isso é o que quase toda a gente diz, mas sem ter bem a noção do que foi, na narrativa, a paciência de Jó. Bom, mas todos já sabemos que, por vezes, temos de fazer um esforço tremendo para não perder a calma e a compostura. O que nem sempre é fácil.
Mas, voltando à paciência. Jó é uma figura do Antigo Testamento e personifica a capacidade de possuir uma enorme reserva mental e espiritual de paciência, resignação, estoicismo e abdicação. O Livro de Jó (provavelmente escrito cerca de 1800 a 2000 anos antes de Cristo), tido como o mais antigo texto bíblico, também é um dos mais complicados, complexos de todo o cânone das escrituras.
Conta que Deus havia apostado com Satanás sobre a Fé e a probidade de Jó (Jó que significa virado para Deus); Satanás mortificou Deus para que o pusesse à prova, já que ele sempre teria beneficiado da Sua generosidade e bênçãos. Deus pôs Jó à prova: viu morrer os seus filhos, a sua riqueza perder-se, a doença minou-o, os amigos abandonaram-no, até a mulher, que lhe censurava a fé, o sofrimento e a paciência. Tudo Jó haveria de aguentar sem revolta ou azedume contra Deus que, mais tarde, o recompensaria pela firmeza da sua paciência.
nota: do conteúdo do Livro de Jó emergem os temores que martirizam a humanidade e que, por isso, alimentam os nossos mais profundos medos: a dor, a doença, a impotência, a perda, o abandono. E o pior de todos: o silêncio de Deus. Na leitura do texto é possível constatar que não há qualquer aposta ou cedência a Satanás ou sequer é mencionada a Jó qual a motivação do seu sofrimento. Apenas pretende realçar o ensinamento que provém do sofrimento. No contexto, dir-se-á, somos ensinados.

 

 

 

(quem não tem paciência não cozinha pedra)