chumeco


Há já algum tempo (aqui penitência minha…) o amigo M. Domingos, nado e criado em Portalegre, que a profissão destacou para Câmara de Lobos, na Madeira, escreveu-me sobre uma expressão que, dizia, se usa vulgarmente por estes lados. A propósito de tamanhos, seja com ou sem segundo sentido, lá vem o fulano é muito chimeco p’ra ti ou, então, eu conheço bem esse chimeco, isto para significar que é pequeno, baixo, ou, com segundo sentido, é um tipo reles. Ora, perguntava-me M. Domingos, como apareceu esta palavra chimeco?!
É caso para dizer que não era coisa chimeca, tal questão…

Voltando ao assunto: chimeco é, de facto, uma expressão popular na Madeira. Que, também, se diz chumeco. Chimeco é palavra que não consta de quaisquer dicionários da Língua Portuguesa; ao contrário, chumeco sim, ou seja, significa sapateiro. Mas sapateiro remendão, trapalhão, trampolineiro. A sua etimologia, essa é do inglês shoemaker (sapateiro).
Segundo Cândido de Figueiredo, chimeco será, portanto, corruptela de chumeco, e assim teria ficado na gíria popular.
Mas, deste modo, então a coisa complica-se: qual a ligação de sapateiro com (ser ou parecer) pequeno, baixo?!…
Acabei por encontrar uma versão que parece explicar toda essa enovelada relação: diz-se que no velho largo do Ribeiro Seco (que hoje se chama Largo António Nobre) existiu um estabelecimento de sapataria que, na fachada, ostentava um letreiro de chapa de ferro onde se lia Shoemaker, e cujo proprietário era um indivíduo de farta bigodaça e de pequena estatura. Daí que, pequeno, baixo, atarracado ou, por outro lado, e por extrapolação como é usual nessas palavras, ordinário, pífio ou até tacanho, ficasse associado ao excêntrico sapateiro inglês e à palavra escrita no letreiro que, claro está, os madeirenses foram traduzindo e adaptando para o seu linguajar quotidiano…
Esta é pequena… e tem graça.

 

 

 

(em ferreiro não pegues, em farmácia não proves, em sapateiro não sentes)

a pensar morreu um burro

É a vulgar referência que nós usamos para indicar alguém que se perde em grandes e demoradas cogitações e nunca chega a qualquer conclusão.
Ao que parece ser consensualmente aceite, o axioma tem origem no conto O Burro (conhecido como o Asno de Buridan), de Jean Buridan, monge e filósofo francês (século XIV), que narra as hesitações de um burro ante duas pias – uma com água, outra com aveia – que foram tão exageradamente demoradas sobre qual primeiro se deveria debruçar, que acabou por morrer exaurido de fome e de sede.
Em jeito de remate e como curiosidade refira-se que este conto de Buridan tem já assento numa reflexão de Aristóteles, no caso inquirindo-se sobre a indecisão de um cão face a duas apetitosas refeições.
(desenho de Anita Amorim, aluna da Escola Básica e Secundária do Vale do Âncora)

 

 

 

(ninguém se livra da pedrada de um doido, nem do coice de um burro)