as paredes têm ouvidos

É melhor falar baixo, porque as paredes têm ouvidos, diz-nos que convém baixar a voz porque, ao redor, alguém pode escutar a nossa conversa, o que não me, ou nos, interessa.
A origem deste vulgar brocardo parece ter vindo de Catarina de Médicis, a italiana rainha consorte de Henrique II, da França. Mulher ambiciosa, astuta e ávida de poder, com uma profunda influência sobre o marido e também sobre os seus filhos.
Ao que consta, teria gizado todo o seu poder à custa de várias ciladas, invencionices  e artimanhas, algumas com verdadeiros requintes de imaginação e habilidade.
Uma delas teria sido um complicado sistema de tubos secretos, escondidos nas paredes, chaminés e lareiras, que uniam todas as salas do palácio real, o Louvre, de modo a poder ouvir tudo o que se dizia, mesmo na mais arredada sala.
Com ou sem tão estrambótico artifício, a verdade é que reinou até morrer.
E sendo, sempre, uma desbragada peste.
Isto digo eu, baixinho, que as paredes têm ouvidos!…

 

 

 

(quando se ouve o tiro, a bala já vai longe)