pior a emenda do que o soneto

pior a emenda do que o soneto
Há quem sugira que a origem deste postulado (que pretenda dizer é melhor não mexer para que não fique pior do que está) poderá remontar a Sá de Miranda e à introdução do soneto na lírica portuguesa que, na sua estruturação enunciava que a composição do poema não devia ser mexida, pois isso só iria prejudicar o ritmo e a métrica original.
Em síntese, a emenda seria sempre para piorar o texto original.

Mais vulgar, e também mais comummente aceite, é a história que fala de alguém, um obnóxio poeta, ter pedido a Bocage que lesse um soneto seu e, se o entendesse, lhe fizesse as emendas que achasse por bem. O Poeta teria lido e devolvido os versos sem lhes tirar ou por uma letra que fosse.
O poemazeco era tão ruim que qualquer emenda, em vez de o melhorar, só o punha mais cambado. Daí que seria pior a emenda do que o soneto
Quase sempre, quase sempre…

 

 

 

(emenda em ti o que te desagrada em mim)

levar as lampas

levar as lampas
Esta locução – que já foi muito popular – significa ficar com vantagem sobre alguém.
A explicação, curiosa e com uma alusão humorística à mistura, é a seguinte: lampo é sinónimo de temporão (que vem antes de tempo).
Assim, entre outros, figos lampos são os primeiros que aparecem, tal como peras lampas, ou simplesmente lampas as perinhas de S. João, que são também as mais temporãs.
Daqui vem a ideia da precedência e, por associação, a de vantagem que anda ligada á locução aludida.
A parte interessante é que, lê-se numa crónica da época, por ocasião da campanha do Alentejo, na Guerra da Restauração, em 1663, João d’Áustria, filho de Filipe IV e general em chefe do exército espanhol, disse que tencionava vir colher as lampas a Portugal no dia de S. João. Remata o cronista escrevendo que enganou-se, porém nas previsões, porque no dia 8 de Junho, portanto dezassete dias antes do S. João, foi derrotado na batalha de Ameixial (ou do Canal) pelo Marquês de Marialva.

Afinal foi o general português que levou as lampas

 

 

 

(esteja a pêra na pereira e não apodreça,
não faltará tempo de haver quem a mereça
)