cepa torta (não sair da)

imagem de uma velha cepa torta

Cepa vem do latim cippu, coluna, tronco e significa tronco de videira; videira; torga; parte inferior das árvores ou arbustos que se extraem com as raízes para fazer carvão, mas também origem ou geração.
Uma cepa que nasce ou está torta, malformada, cresce pouco, não progride, nunca dará bom fruto.
Não deixará de ser torta e, por isso, diz-se, não sai da cepa torta. No sentido de progénie, pelo contrário, quem é de boa cepa pertence a boa família, tem uma boa estirpe.

Do latim cepæ, vitis ou viticula, para a parte inferior que, quando cresce torta e por isso não medra, não irá dar bom provento, é vulgar o aproveitamento, juntamente com as raízes, para fazer carvão.
A cepa torta não terá outra utilidade, ao contrário da boa cepa à qual se augura bom proveito.
Nem sempre assim será, mas…

.

 

 

(não há cego que veja, nem torto que se conheça)

de mão beijada

Dar alguma coisa de forma espontânea (a mais das vezes inusitadamente), sem qualquer contrapartida ou expectativa de receber algo em troca.
Dar de mão beijada, tem origem na Idade Média.
Mas por quê… de mão beijada?
Havia o hábito, na nobreza, em determinadas ocasiões solenes respeitantes à linhagem (casamentos, óbitos ou recolhimento em conventos), ofereciam generosos presentes à Igreja, muitas vezes terras ou palácios.
Em resultado de algumas dessas dádivas, os ofertantes eram obsequiados com o raro privilégio de poder beijar a mão do Papa.
Essas cerimónias, apropriadamente chamadas de beija-mão, foram documentadas em 1555. O Papa Paulo IV (1473-1559) teria, inclusive, dividido as oferendas a Deus em dois tipos: ofertas no altar ou de mão beijada.
A partir desse cerimonial o beija-mão estender-se-ia às monarquias e, mais tarde, alargar-se-ia o sentido, passando a ser sinal de respeito e vassalagem ou simples salamaleque de ocasião. Viria a estender-se à nobreza e ao povo, popularizando-se.
Com o tempo ganharia o seu toque irónico e mordaz, levando o sentido de mão beijada a ser recebido com desconfiança de tamanha fartura, especialmente de generosidade.
A lembrar uma outra expressão bem popular; quando a esmola é grande até o santo desconfia.   

 

 

 

(não te fies em água que não corre, nem em gato que não mie)