lua-de-mel


A expressão vem do inglês honeymoon.
Na Irlanda, na Idade Média, os jovens recém-casados tinham o costume de tomar uma bebida fermentada chamada mead – ou hidromel -, composta de água, mel, malte e levedo, entre outros ingredientes. O mel era considerado uma fonte de vida, com propriedades afrodisíacas. A bebida deveria ser consumida pelos noivos, todos os dias durante um mês (ou uma lua).
Por essa razão, esse período passou a ser chamado de lua-de-mel.

 

 

 

(pelas luas se tiram as marés)

vai bugiar

Dizer a alguém que vá bugiar é, na essência da expressão, o mesmo que reconhecer que essa pessoa apenas tem habilidade e saber para fazer bugiarias, isto é, momices e trejeitos de macaco e assim, dito de modo mais ligeiro, vai fazer macaquices
Ir bugiar ou vai bugiar acabou por se tornar algo de semelhante ao não me chateies, desaparece, vai pentear macacos, vai-te catar ou (gosto particularmente desta…) vai procurar o que fazer.
O dito tem origem na cidade de Bugia, na Argélia, onde – segundo Bluteau – os espanhóis encontraram muitos macacos, ou bugios.
Jorge Ferreira de Vasconcelos escreve no seu Ulysippo (acto I, cena 7): E diruosei amigo Barbosa, porque saibais onde o bugia tem o rabo, e de que pé me calço.
Gil Vicente, no seu Auto Pastoril Português, também emprega o termo:
Vai, vai, Joana, bugiar,
Não andes com o alpavardo.
Ou, ainda, no Auto de Mofina Mendes:
Senhora, não monta mais
Semear milhos nos rios,
Que queremos por sinais
Meter coisas divinais
Na cabeça dos bugios.
Voltando a Jorge Ferreira de Vasconcelos, que escreve na sua Eufrosina (acto I, cena 1): Leixai vos banahar em suas pinturas, e vereis hum Metamorphoso, dando mais esfolgatos que bugio.
Houve, no entanto, quem pretendesse atribuir diversa origem ao termo bugiar, relatando a construção de um forte no Terreiro do Paço, começada no tempo de Filipe II.
O que, de algum modo, não contraria o pressuposto original.
Vejamos: atendendo a que o terreno era lodoso e alagadiço, foi necessário assentar-lhe os fundamentos sobre uma estacaria que era fincada com um bugio, ou bate-estacas. Como este serviço era muito penoso e fatigante, agarravam, para esse fim, todos os vadios e pessoas de baixa classe que andassem ociosas pelas ruas. Daí que tenha começado a usar-se o termo de mandar bugiar as pessoas que se tornavam enfadonhas ou inoportunas.

Embora engenhosa, esta explicação não está na génese da expressão, como se vê.
Muito antes da construção do forte, já Gil Vicente empregava o dito, como atrás se mostra, dando ao bugio a conotação de macaco. De resto, e daí a parcial concordância com esta outra explicação mais recente, o tal bate-estacas era também designado por macaco: e assim, ainda, continua a ser.
No Dicionário Etimológico, de Antenor Nascentes, vemos que o étimo do nosso bugiar também pode ter alguma relação com o verbo italiano bugiare, dizer mentiras.
Fico por aqui, antes que me mandem bugiar

 

 

 

(macaco não briga com pau por onde sobe)