três vinténs (tirar os)


Tirar os três vinténs
, ou mais vulgarmente tirar os três significa fazer sexo com donzela, fazendo-a perder a virgindade.

Entre nós, portugueses, mormente no Minho e Trás-os-Montes, o termo parece ter origem no uso dos cordões de ouro, especialmente aquele que era apelidado de primeiro cordão ou primeiro ouro. Esse cordão era oferecido quando os pais lhe admitiam a possibilidade de namoro. Nessa altura, a mãe também colocava, presa ao cordão, uma moeda de três vinténs.
A tradição era que só a mãe podia retirar esse amuleto, o que acontecia quando a moça saísse de casa para casar. O que, consagrando o corte umbilical, tomaria significado diferente que, no costume quotidiano e brejeiro do povo, acabaria por estar conotado a perda da virgindade.
Curiosamente, este axioma (ou gíria, assim igualmente suposto) também está relacionado com outra tradição, esta muito mais antiga e que teria sido trazida para a Península aquando da romanização.
Em Roma, a noiva, ao caminhar para o altar, levava na mão três moedas de asse. No altar, então, entregaria uma dessas moedas ao noivo e guardava as outras, manifestando desse modo que redimia um terço da sua servidão e que reconhecia que o casamento só a emancipava de modo parcial.
(o sistema monetário foi instituído na segunda metade do século quinze e seria alterado, para o escudo, em 1911, na sequência da instauração da República. Na imagem um vintém do reinado de D. Manuel I)

 

 

 

(virgindade e chumbo pesam muito)

o fim da picada

Esta expressão é filha da Guerra do Ultramar. Dos quase dez mil militares que, durante 13 anos entregaram parte substancial da sua juventude aos desvarios do Império, muito poucos são os que não sabem o que pode ser… o fim da picada.
Picada é (era…) uma estreita faixa de terreno limpa de terra, pelo interior do mato, criada para evitar que o fogo ateado no roçado passe além dela. Neste caso, o fim da picada é um lugar perigoso para quem estiver a provocar fogo no roçado, pois as chamas poderão colocá-lo em risco de vida. Isto era dantes…
Picada também é uma trilha feita por quem ingressa numa mata, geralmente com catana, para facilitar, desviar ou encurtar a passagem e, ao mesmo tempo, assinalar o caminho de regresso. Se uma ou mais pessoas não regressam ou deixam de sinalizar a sua marcha, seguem-se as marcas, seguindo o trilho. Se acontecer chegar ao fim da picada sem encontrar quem seguia à frente, percebe-se de imediato que o risco é enorme: o que, ou quem provocou esse desaparecimento foi, está, naquele local. O que significa que quem está no mesmo lugar, corre risco semelhante.
O fim da picada é o pior que pode existir nesse caminho.

 

 

 

(o risco que corre o pau é o mesmo que corre o machado)