comer com os olhos

Na Roma Antiga, em determinadas cerimónias, especialmente relacionadas com os equinócios (sementeira e colheitas), eram preparadas mesas adornadas com flores, sementes, frutos e outras iguarias resultantes das ceifas, vistosas e apetecíveis, para assim agradecer e deleitar os deuses.
Os convidados às solenidades veneravam os deuses, apreciavam os ornatos e as oferendas, mas não podiam tocar nas iguarias.
Limitados apenas a observar, teria sido daí que surgiu a expressão comer com os olhos.

 

 


(os olhos folgam de ver)

deus ex machina

A expressão é originária do teatro grego antigo que passa para o Latim.
As personagens, por vezes deuses, filhos ou humanos privilegiados, pelos enredos apareciam ou desapareciam de forma inusitada, de modo a surpreender a plateia.
Isso era conseguido com alçapões, ganchos, cordames ou outros engenhosos artíficios.
Genericamente dir-se-ia que o deus aparecia saído da máquina: Deus ex machina.
Ésquilo usou o dispositivo em suas Eumênides e mais da metade das tragédias existentes de Eurípides empregam um deus ex machina.
Outro exemplo é a Medeia de Eurípides, em que o deus ex machina é uma carruagem puxada por um dragão enviada pelo deus sol, usada para transportar sua neta Medeia para longe de seu marido Jasão precavendo a segurança de Atenas.
Na imagem acima personagens sobem ao céu para se tornarem deuses no final da peça Andrómede, em 1650.

De tudo isso resultou que o apodo se aplica a qualquer situação em que se se faz aparecer de forma artificial e exagerada um objecto, uma expressão, uma ideia, ou até uma explicação.

 

 

 

(donde não se cuida salta a lebre)