anda(m) mouro(s) na costa

Desconfia-se que há qualquer coisa de suspeito, embora não se consiga perceber bem o quê.
A costa portuguesa, pela sua peculiaridade geográfica apetecível, ou outras razões mais comezinhas e valoradas em cada época, a verdade é que, durante séculos, foi alvo de ataques, pilhagens e raptos, por magrebinos, franceses, holandeses, ingleses e outros amigos do alheio.
Especialmente as pequenas aldeias de pescadores-lavradores, eram os alvos preferidos (curiosamente, na curta distância da cidade do Porto até Caminha, ainda hoje podemos encontrar, ao longo do litoral, mais de uma dúzia de fortificações, entre castelos, fortes, fortins e praças).
Anda mouro na costa seria, provavelmente, a palavra, o grito de alerta, para acautelar as gentes dos povoados.

Mesmo que, em tempos mais recentes, a expressão tenha uma abrangência generalizada, a maior incidência ainda nos remete para os precisos resguardos sobre esta ou aquela moçoila sob a mira do rapapé de qualquer carcamano.
Terá a ver com o imaginário das lendas mouriscas?
Quem sabe!…

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(tem tento quando te der no rosto o vento)

vai plantar batatas

Vai plantar (ou cavar) batatas!
A expressão, possivelmente surgiu e generalizou-se em Portugal na segunda metade do século XIX, em consequência do advento industrial.
Ser operário numa fábrica, além de uma bem razoável maquia, era trabalho digno, moderno, por isso motivo de ostentação e até alguma prosápia para o trabalhador.
A agricultura passou a ser considerada uma actividade secundária, braçal, para gente desqualificada e pouco inteligente.
Desse modo, mandar alguém plantar batatas era despachar o ofendido para o campo a fim de cuidar de trabalhos simples e toscos.

 

 

 

(diz o corvo à pega, chega-te para lá que és negra)