estar com a carinha na água

A minha tia dizia com frequência que o meu irmão andava sempre com a carinha na água; nunca cheguei a perceber o porquê do dito, embora percebesse que era por ele ser irrequieto, escrevia a amiga Maria Cândida, pedindo ajuda para desbulhar a zombaria.
Esta é mais uma que vem a propósito da vulgaridade das corruptelas (veja-se, p. ex., quem não tem cão caça com gato).
Trata-se de um antigo adágio que foi completamente adulterado com o decorrer do tempo.
Dizer que quem está divertido, jovial, expansivo ou galhofeiro está com a carinha na água, não será um dito muito compreensível; até porque estar com a carinha na água deve ser, no mínimo, uma grande aflição.

A verdade é que o dito, na sua origem, era estar como a caninha na água, ou seja, activo e verdecido como aquela caninha dentro de água.

 

 

 

(quem está na beira, está para cair)

onde Judas perdeu as botas

Há uma história – e tudo se resume a isso – na qual, após ter traído Jesus, Judas Iscariotes enforcou-se numa árvore, com os pés descalços.
A narrativa assevera que Judas teria posto nas botas as trinta moedas ganhas pela sua traição. Quando os soldados souberam que ele se enforcara e o viram, pendurado e sem botas, correram as cercanias em busca delas e do vil dinheiro ganho por Judas.
Mas nunca alguém achou as botas de Judas.
O que explicará a expressão onde Judas perdeu as botas como um lugar distante, desconhecido e inacessível.

 

 

 

(o que hoje adulador amanhã traidor)