à lágarder

Ó Chico!, mas que foleirice é esta, hã?! Julgas que chegas aqui, arreias a giga e é tudo à lágarder, é?!...’
Dito assim, à moda do Porto, exemplifica bem o agir de modo afoito e irresponsável, actuar desabridamente, levar tudo a torto e a direito, e, consequentemente, disparatar em grande medida.
À lágarder, tem origem no nome Henri de Lagardère, herói do romance Le Bossu (O Corcunda) do escritor francês Paul Fével. O livro narra as aventuras do espadachim Lagardère na sua demanda de vingança contra o poderoso Philippe de Gonzaga, assassino do seu amigo Duque de Nevers. As peripécias desta aventura, pautadas pela irreverência, pelo modo audacioso e atrevido do herói, mais tarde passadas ao cinema e também, na RTP, em série televisiva no começo dos anos sessenta, serviram de ovo à gestação desta expressão que, por colagem ao esgrimista, leva a dizer que à lágarder é, como ele e a sua espada, andar numa fona constante, levar tudo a eito, derrubar tudo e todos.
Esta apropriação – das exuberantes e insinuantes características do herói – estendem-se a outras figuras, humanas, de romance ou do cinema e dão origem a outras expressões em tudo semelhantes
Correr como o Zátopek ou conduzir à Fângio, entre outras.

 

 

 

(quem corre pelo muro não dá passo seguro)

4 comentários sobre “à lágarder

  1. jorgesteves 24 Agosto, 2019 / 19:12

    É verdade, Rosa, sim, deve ser – pelo menos – das mais gastas!…
    Abraço.
    jorge

  2. jorgesteves 24 Agosto, 2019 / 19:10

    São sempre amáveis as tuas palavras, Teresa. Obrigado.
    Abraço
    jorge

  3. Rosa Martins 19 Agosto, 2019 / 21:57

    Outra excelente aula de comunicação. O resto quase me apetece dizer que nos dias de hoje a expressão deve ser a mais gasta.

  4. tb 18 Agosto, 2019 / 14:32

    A origem das expressões e a forma como contas são sempre um momento de enorme prazer de ler.
    Grata!
    Um beijo.

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