a mui prezada…

(pintura a óleo de G. Vivian, pintor inglês do séc. XIX)

Antre Cintra, a mui prezada,
e serra de Ribatejo
que Arrábeda é chamada,
perto donde o rio Tejo
se mete n’água salgada,
houve um pastor e pastora,
que com tanto amor se amarom
como males lhe causarom
este bem, que nunca fora,
pois foi o que não cuidarom.

A ela chamavam Maria
e ao pastor Crisfal,
ao qual, de dia em dia,
o bem se tornou em mal,
que êle tam mal merecia.

Primeiros versos da écloga, escrita nos começos do século XVI, que agitou a corte do rei D. João III por se tratar da narrativa real do drama de dois jovens amantes, conhecidos no Paço Real.

 

5 comentários sobre “a mui prezada…

  1. Sophiamar 15 Agosto, 2008 / 05:00

    Um poema de amor que não conhecia.
    Lindíssimo!Bem hajas!

    Beijinhos

  2. Meg 10 Agosto, 2008 / 16:03

    Mais uma vez valeu a pena passar por aqui para te ler.
    Uma boa semana e um abraço

  3. Mofina Mendes 8 Agosto, 2008 / 18:06

    E eu, pastora mofina, sem conhecer nenhum Crisfal…

  4. APC 7 Agosto, 2008 / 23:10

    Enquanto os dramas de amor ainda agitarem corações, nem tudo está perdido! E Sintra, ‘nha Sintra!…
    Posso pôr aqui um link, posso?
    Já puzi! 😛
    ABRAÇO!

  5. Justine 7 Agosto, 2008 / 21:01

    Estes dias de hoje estão tão duros, tão difíceis, tão injustos, que apetece mesmo voltar a tempos mais calmos e puros.
    Foi bom ir pela tua mão à Arrábeda, onde ainda havia pastores!
    Abraço

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