a origem de Lousã

A Lousã (entenda-se todo o seu concelho, quase todo em plena serra do Açor) deve a sua designação, segundo os Velhos Livros de Linhagem de Joseph Piel, a Lausus, nome do proprietário da vila, quinta ou herdade que, na época romana, terá estado na origem da povoação principal nas cercanias da serra do Açor. Lausus teria sugerido terra Lausana ou Lausã, que, com o tempo, passou a Lousã. Antes do século XV, Lousã aparece, em vários documentos, escrita de formas diferentes: Lousam (1160), Lauzana (1220), Louzaa (1258), Lousaã (1343), Lousãa (1404) e Lousaa (1428). Até ao século XX, além da actual grafia, também se adoptou Louzan e Louzão emprego da letra z explica-se por haver quem defendesse que o termo Lousã se devia às lousas, fornecidas pelo vasto xisto da região, que se grafava, então, com a letra z.

A tradição, todavia, remete a fundação da terra e a origem do seu nome para o rei Arunce, contemporâneo de Sertório, que tinha a sua corte em Conímbriga, donde se viu forçado a fugir, com a sua filha Peralta e restante família e outros seguidores, perante um ataque de fortes e aguerridos inimigos, que saquearam a cidade e as suas gentes. O rei Arunce, conta ainda a mesma lenda, registada por Leitão de Andrade, refugiou-se, então, pelos territórios de Sertório, pouco povoados mas muito florestados, até se acolher num castelo que havia construído no mais escondido da serra, em um sítio quase feito uma ilha, cercado de uma ribeira muito fresca, a qual também como o dito castelo se chamava Arunce (hoje ribeira ou rio Arunce).

À volta do castelo, que acabaria, mais tarde, conquistado pelos árabes, surgiu a vila de Arunce, ou Arouce, também ela tomada pelos mesmos árabes que dominaram o castelo, ao qual passaram a chamar Alaçanmais tarde, os cristãos pronunciariam Alouçam. A vila, seria, entretanto, transferida para um local próximo dos campos de agricultura, dando origem à actual Lousã que, com o tempo, resultou de Alaçan, depois Alouçam e que, derivando para Lousam, acabaria, finalmente, na actual denominação.

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17 comentários sobre “a origem de Lousã

  1. Violeta 4 Julho, 2009 / 18:18

    Independentemente da origem, o post está muito bem escrito e a terra é muito bonita.
    bjs

  2. elvira carvalho 4 Julho, 2009 / 18:01

    Muito interessante. Quando eu tinha 18 anos fui para o norte de taxi, com uma tia e um casal que vivia numa aldeia na serra lá na Lousã. E não é que depois de deixar o casal o motorista se perdeu e depois de mais de duas horas perdido foi ter à mesma aldeia. E foi um senhor de lá que veio depois ensinar-lhe o caminho para ele retomar a ida para Viseu comigo e a minha tia.
    Estavamos a ver que não saíamos de lá.
    Um abraço e bom fim de semana

  3. São 3 Julho, 2009 / 17:33

    Desconhecia e gostei de saber.

    Mas será que o senhor viajou até ao centro da Europa e fundou Lausanne? rrsss

    Feliz final de semana.

  4. dona tela 3 Julho, 2009 / 11:20

    Quem vê um comboio a andar pensa que ar condicionado vai encontrar…

  5. MagyMay 3 Julho, 2009 / 08:17

    Pronto, eu sei que não vem nada a propósito mas estou para aqui curiosa, curiosa…
    – Será que São Barnabé tinha bordão?
    Aguardo expectante
    Abraço
    (Bom Fim de Semana..)

  6. Rosa dos Ventos 2 Julho, 2009 / 17:50

    Conheço bem essas bandas que são de uma enorme beleza e frescura!
    Agora a origem do nome é que não conhecia…
    Sempre a aprender contigo!

    Abraço

  7. gaivota 2 Julho, 2009 / 08:11

    que interessante, vamos aprendendo todos os dias um bocadinho…
    obrigada
    beijinhos

  8. Susana 1 Julho, 2009 / 16:44

    Olá!

    A blogagem da Aldeia da Minha Vida foi um grande sucesso, graças à sua participação e divulgação.

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    Muito obrigado pela sua atenção!

    Votos de um feliz dia!

    Susana Falhas

  9. Baila sem peso 30 Junho, 2009 / 21:24

    Que casinhas lindas a emoldurar!
    Não, não conheço Lousã 🙂
    Mas fica aqui, a história
    e um lindo canto a acompanhar…
    um jardim suspenso
    e penso, penso…
    e porque será que o açor aqui
    me faz outras coisas pensar?

    Beijo e abraço amigo

  10. Marta 30 Junho, 2009 / 14:24

    Muito bom, muito bom 🙂 sempre a aprender por aqui 🙂
    beijo

  11. MagyMay 30 Junho, 2009 / 09:58

    Ora, o que eu aprendi!
    Mesmo não conhecendo a Lousã…
    É bom saber mais hoje do que o que sabia ontem…agradecida
    Abraço

  12. Isamar 29 Junho, 2009 / 23:04

    Aprender até morrer, diz o povo e confirmo sempre que passo por aqui. Deleito-me com a história, com o discurso, com a imagem.

    Bem-hajas, amigo, que tanto e tão bem nos ensinas.

    Beijinhos

  13. APC 29 Junho, 2009 / 23:02

    Reviver, reviver, reviver, com este texto!… É que a memória do meu olhar sobre o presépio piodense é ao som de Zeca ecoando na tarde longa… Tal e qual!
    Curiosos, os dois eixos de sentido etimológico, bem como a passagem entre serras irmãs, no fim de tudo. E porque a Estrela é outra delas, deixa-me deixar-te cinco… porque sim! 🙂

  14. Humana 29 Junho, 2009 / 22:40

    lendas que me falam de locais que são do meu agrado. e a foto, uma pintura, com essas casas que parecem espreitar-nos…

    no post anterior deixei cantigas ao desafio, p'rá troca.
    e neste volto a deixar um abraço amigo e grato.

  15. Maria Sem Frio Nem Casa 29 Junho, 2009 / 22:25

    Tinta Permanente tem o dom de nos lembrar de onde vimos, de histórias de ontem que fazem o hoje. Este hoje onde vivemos e onde fazemos a história de amanhã.

    Maria Sem Frio Nem Casa

  16. Bartolomeu 29 Junho, 2009 / 21:05

    Belíssimo tema, caro Tinta!
    Belíssimos e refrescantes banhos já tomei naquela ribeira, aos pés do castelo.
    E a Lousã quando as mimosas se encontram floridas!???
    E a chanfana que é umas das iguarias típicas da Lousã!???
    E os passeios infindáveis por aquelas serranias fora!???
    Ah… posso deixar uma curiosa curiosidade? 🙂
    Adoro parar o carro na berma de uma daquelas nostálgicas estradas que serpenteiam pelas encostas da serra, colocar as mãos em concha de cada lado da face e soltar o mais potente AHHHH de que fôr capaz, voltado para a encosta oposta e… deliciar-me com o som do eco que me responde.
    Sei lá… pode ser uma infantilidade, mas confere-me a sensação de que algo de mágico está a suceder…

  17. Paula Raposo 29 Junho, 2009 / 19:43

    Gostei de saber isto tudo! Obrigada. Beijos.

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