a origem de Machico…

É claro que a teoria é polémica. Mesmo assim, face às teses de alguns historiadores, diga-se que não é tão disparatada como, eventualmente, possa parecer à primeira vista…
Em 1344, Patrício Roberto Machim e Anna d’Arfet, fugidos de Bristol, embarcados em nau com destino a França, por força de uma tempestade e dos ventos, foram arrojados à baía, do lado sul, da Ilha da Madeira. Três dias depois, durante a noite, soprou tão rijo vento de poente que a embarcação desapareceu mais alguns companheiros que estavam a bordo. Na manhã seguinte, logo ao despontar a aurora, Machim, pesaroso pelo desaparecimento do seu navio, fita o horizonte, mas não encontra qualquer vestígio que o acalente naquela desventura. Arfet, que tinha contraído doença má, ao saber que o navio desaparecera, piorou de tal forma que dois dias depois acabou por morrer. Machim, com mágoa profunda, deu-lhe sepultura, cobriu-a com uma pedra na qual gravou um singelo epitáfio. Mas não resistiu à dor, Machim, que ao cabo de poucos dias enterra, fundo, o punhal no seu coração. Os poucos companheiros que haviam ficado em terra, irmanados na mesma desventura de Machim, lhe dão o repouso eterno ao lado de Anna d’Arfet, erigindo-lhes uma pequena cruz como derradeira homenagem. Depois, afoitaram-se ao mar num pequeno batel entregando-se à mercê das ondas e, consta, acabaram presa fácil para a mourama. Existia entre os cativos, um tal João de Morales que teve a sorte, depois de algumas escaramuças dos seus raptores, de ser resgatado por uns aventureiros ingleses a quem deu miúdas informações acerca da terra que tinham descoberto ao acaso. Os ingleses, por sua vez, passaram essas informações a João Gonçalves Zarco, com quem tinham negócios de sedas e especiarias. É então que, Zarco, por ordem do Infante D. Henrique, se faz à vela, no começo de Junho de 1419, acabando por descobrir a baía madeirense pouco mais de um mês depois. E, diz-se, fez questão de celebrar uma missa sobre as sepulturas de Machim e Arfet, a 2 de Julho de 1419.
Em Machico (a origem será Machim?…) existe uma capela do Senhor dos Milagres, erigida, dizem, no lugar onde estavam as duas sepulturas.
É verdade que Cadamosto diz Manchrico (sem dúvida Machico), e Azurara, escreve Machito.
Onde está a verdade?
Para já, fica insolúvel a etimologia do nome Machico

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25 comentários sobre “a origem de Machico…

  1. M. 17 Abril, 2009 / 15:34

    Não importa a verdade, importa mais encantarmo-nos com a história.

  2. Paula Raposo 13 Abril, 2009 / 14:31

    Tão bonita esta história. Não conhecia. Beijos.

  3. De Amor e de Terra 12 Abril, 2009 / 19:33

    E as descobertas do meu Amigo, também…
    Obrigada por mais esta lição de aventura, amor e poesia.

    Bj

    Maria Mamede

  4. elvira carvalho 8 Abril, 2009 / 16:13

    Interessante a história de amor de Machim e Anna.
    Um abraço e uma Santa Páscoa

  5. Rosa dos Ventos 6 Abril, 2009 / 19:48

    Depois de ter andado à tona da água ficou enterrada nas escassas areias da Madeira!
    Mas que é verosímel, é! :-))

    Abraço

  6. Licínia Quitério 6 Abril, 2009 / 12:24

    Machico para mim é cheiro a mosto e bandos de crianças pelas ruas. Isto foi há muuuitos anos.
    Do nome, nada sabia, antes de passar por aqui.

    Abraço.

  7. Ana Ramon 5 Abril, 2009 / 23:11

    Estou tanto tempo sem visitar os amigos que depois acontece-me isto que é ter que arranjar mais tempo disponível para poder ler todos estes textos interessantíssimos. E hoje, como sempre, aprendi mais uma série de lições :))
    Um beijinho

  8. Idun 4 Abril, 2009 / 20:36

    o meu coração, romântico e felino, encantou-se com esta bela história.
    ai, pomba branca, pomba branca…

    um abraço da minha Humana e marradinhas amistosas cá da felina.e até breve, pois só poderemos voltar aqui depois do dia 20…

  9. APC 4 Abril, 2009 / 01:25

    Procurar a verdade pode não a encontrar, mas encontra, p’lo caminho, muita coisa rica.
    E há qu’anos não escutava a Pomba Branca; descobri saudades nela.
    Abraço meu.

  10. Violeta 4 Abril, 2009 / 00:28

    Não sei qual a verdade mas que machico é bonita , lá isso é…
    até breve!

  11. Justine 3 Abril, 2009 / 16:25

    Onde quer que esteja a verdade, a tua estória é encantadora, dramática e muito, muito romântica. Que mais se pode querer numa tarde suave de primavera??
    Grande abraço de bom fim de semana

  12. Fa menor 3 Abril, 2009 / 16:03

    Gostei muito da história. Há histórias que complementam e até consolidam conhecimentos anteriores.

    Bjs

  13. São 3 Abril, 2009 / 14:28

    Vi esta paisagem ao vivo há mais de três décadas: como voam os dias!
    Bom fim de semana.

  14. Teresa Durães 3 Abril, 2009 / 11:26

    a toponimia é uma arte difícil e incerta

  15. Baila sem peso 3 Abril, 2009 / 11:19

    Ah, ontem não disse:

    Um Abril de encantos mil!

    Beijinhos na ausência que aqui será presença!

  16. Arabica 3 Abril, 2009 / 10:30

    Com saudades do mar do machico,

    do abismo geográfico,

    do sol em queda livre,

    deixo um beijinho.

  17. alice 2 Abril, 2009 / 23:55

    gostei muito de ler. só estive na madeira um vez e fiquei com a ideia geral de que machico era a zona do aeroporto… ou seja, fiquei com a ideia errada, porque afinal tem uma história e um significado muito interessantes. gostava de um dia visitar a capela de que fala, que me parece como estar num poema vivo. obrigada e um beijo.

  18. gaivota 2 Abril, 2009 / 20:08

    pois será machico… foi assim que o conheci! é lindo, como todas as localidades das ilhas, da madeira, porto santo, e os açores…
    beijinhos

  19. Baila sem peso 2 Abril, 2009 / 19:36

    A imagem como é fácil adivinhar
    uma linda cor que me faz sonhar!
    A história escrita a preceito
    como é por aqui o hábito…
    Manchrico ou Machito ficou Machico
    numa lenda de amor pelo Mar
    em que a Verdade anda sempre à tona
    difícil é, de muita vez a apanhar!

    (talvez eu gostasse mais de Machim
    porquê? porque xim ;))

    Pomba branca, pomba branca
    quanta nostalgia neste voar…
    a ternura de uma recordação
    toda coberta pelo mar!

    Um beijinho, de onda salpicadinho
    que por aqui hoje veio bailar!

  20. cristal 2 Abril, 2009 / 19:09

    Como sempre que por “aqui” passo saio mais rica. Muito obrigada outra vez.

  21. bettips 2 Abril, 2009 / 18:39

    Romântico que chegue esse amor nas ilhas. Gostei de mais sabedoria solta por ti; como sendo brindes à memória, imagens e palavras feitos!
    Bjinho

  22. Meg 2 Abril, 2009 / 17:56

    História curiosa, esta!

    E mais uma boa lição de História, como já é habitual por aqui.

    Um abraço

  23. mdsol 2 Abril, 2009 / 17:46

    O que por aqui se sabe! E a clareza e elegância com que se transmite! E a renovada novidade dos temas!

    (Qualquer dia não tenho adjectivos nem imagens! rsrsrs)

    :)))

  24. triliti star 2 Abril, 2009 / 15:25

    o que eu aprenderia por aqui, se para isso tivesse cabeça…

  25. Isamar 2 Abril, 2009 / 15:15

    A dúvida continua mas a história foi muito bem contada e em 1419 já se tinha conhecimento da existência de terra nestes lados do Atlântico. A sua redescoberta foi muito importante para a economia portuguesa e o teu artigo veio dar mais e melhor conhecimento sobre a origem do nome ” Machico”.

    Gostei muito, amigo!

    Bem-hajas!

    Abraço fraterno

(actualmente os comentários estão encerrados)