ostracismo


A complementar o último texto publicado (quo vadis?…), refira-se que durante a longa liderança de Péricles (mais de trinta anos) na consolidação da democracia, derrubado que foi o tirano Hípias, os atenienses procuraram arranjar maneira de evitar que uma nova tirania voltasse a Atenas.
Assim nasceu o Ostracismo. Parece ter sido Clístenes quem primeiro utilizou essa forma institucional da democracia ateniense para banir (ostracizar, do grego ostrakón).

Uma vez por ano, cada ateniense tinha uma oportunidade de usar o seu voto, cujo objectivo não era eleger, mas sim expulsar alguém.
Podiam escrever o nome de um político que, em seu entender, se estivesse a tornar perigosamente poderoso para o bem do estado ou, simplesmente, se mostrasse seguidor dos velhos preceitos da tirania. A votação era feita em pedaços de cerâmica, por escrutínio secreto; quando se verificasse um total de seis mil votos (isso evitava que um cidadão fosse vítima do capricho de qualquer líder político que desejasse exilar um membro da comunidade) e algum homem tivesse a maioria, era forçado a sair da cidade e permanecer afastado de Atenas por dez anos.
Considerava-se o ostracismo uma prática civilizada, pois evitava-se a execução do apontado conspirador contra os deveres democráticos. Os seus familiares não sofriam qualquer dano e se fosse necessário ficariam sob a protecção do Estado. Cumpridos que fossem os dez anos de degredo, era acolhido de volta.
Entendia-se, assim, que tinha decorrido o tempo suficiente para ter aprendido a não sucumbir à sedução de atentar contra a democracia.