a senha da Revolução

O dia 25 de Abril de 1974 está indissociavelmente ligado à canção ‘E depois do adeus’, vencedora nesse ano do Festival da Canção e à ‘Grândola, vila morena’ do José Afonso. Acontece que, mesmo nos poucos anos, em termos históricos, que nos separam dessa madrugada de Abril, a verdade é que este facto (como, aliás, muitos outros…) foi sendo paulatinamente deturpado (a favor sabe-se lá de quem e porquê…), de forma a que, hoje, meias verdades passem a ser verdades por inteiro…
Nos preparativos do golpe, o estratega Otelo Saraiva de Carvalho estabeleceu contacto, com pessoa próxima e ligada à actividade radiofónica para que a senha fosse emitida na madrugada aprazada. Tudo parecia resolvido, não fora verificar-se que, a pretensão de fazer ouvir a senha de norte a sul do país nunca poderia ser naquela emissora que, de potência reduzida, apenas estendia a sua audição à Grande Lisboa!… A questão ficou resolvida com mais uns contactos e, desta feita, a senha seria emitida aos microfones da Rádio Renascença, essa sim, com cobertura nacional.
Sobrava apenas um pequeno percalço: Otelo tinha aceitado a sugestão da canção do Paulo de Carvalho, nessa emissora de Lisboa, que facilmente a poderia encaixar, sem suspeitas, entre o António Calvário, a Simone ou o Artur Garcia, mas na Rádio Renascença, Otelo volta a insistir na sua música favorita para a senha de início da Revolução de Abril…
Mas, essa canção, era impossível tocá-la! Bastava que alguém, nos estúdios, andasse com tal disco nas mãos para ser imediatamente preso (havia sempre, nos estúdios, um elemento da polícia política…); então, por causa de um recente acontecimento cultural no qual se tinha interpretado a ‘Grândola, vila morena’, sugeriram-lhe que, essa, talvez, não desse muito nas vistas…
E assim foi!

A canção ‘E depois do adeus’ seria o sinal do posto de Comando e ‘Grândola, vila morena’ seria a senha para todo o país!…

 

.

16 comentários sobre “a senha da Revolução

  1. APC 1 Maio, 2008 / 17:47

    A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustém
    Só nesta rusga, não há lugar para os filhos da mãe

    Tiriririri Budiriririri
    Tiriririri barabudibaé…

  2. São 1 Maio, 2008 / 16:28

    Que Abril e 1º de Maio estejam sempre vivos nos corações amantes da Liberdade!

  3. Entre linhas... 1 Maio, 2008 / 12:03

    Engraçado tb fizum post sobre o “Abril” com a canção do grande P.de Carvalho, a senha..
    Um marco n história..
    Bom Feriado
    Bjs Zita

  4. jawaa 30 Abril, 2008 / 17:17

    Pois, é mesmo bom que se ponham os pontos nos is, os factos deturpam-se aos poucos(não é acidental) e isto não é de somenos importância.
    Parabéns uma vez mais por este esclarecimento oportuno.
    No próximo ano podes repetir…
    Um abraço

  5. meg 29 Abril, 2008 / 16:36

    Peço desculpa pelos erros, mas isto de escrever quando se está de cama é um bocado complicado.
    Mas não me levam a mal, pois não?
    Meg

  6. meg 29 Abril, 2008 / 16:33

    Meu caro amigo, pois coisas do arco sa velha foi o que se passou lá por casa nesta última semana, nem queira saber. O blog que conhece(ia) foi abatido, tive de inventar outro para lhe dar continuidade já que perdi o amterior. Como deve calcular além do trabalho que foi muito (mas os amigos muitos mais), andei uns dias assim como hei-de dizer…?
    Mas hoje por fim saí para visitar todos os meus amigos e anunciar-lhe a minha nova morada.

    Continuo a ser a Meg e estou em
    recalcitrantemor.blogspot.com

    Só espero que os meus amigos gostem e por isso o convido para uma visita.

    E um obrigada cheio de expectativas.

  7. Ana Ramon 29 Abril, 2008 / 12:51

    E é como dizes, as coisas vão-se esquecendo por tanto ouvirmos outras versões.
    Acreditas que já não me lembrava que essa canção do Paulo de Carvalho tinha sido a senha?
    O que vale é que há sempre pessoas mais atentas ao esquecimento.
    Um beijinho grande

  8. Rita Lemos 27 Abril, 2008 / 14:16

    Tanto temos ainda a aprender sobre o 25 de Abril que aconteceu em 1974.

  9. elvira carvalho 27 Abril, 2008 / 14:15

    Um facto que desconhecia completamente.
    Bom Domingo
    Um abraço

  10. mena m. 26 Abril, 2008 / 15:57

    Ora aqui temos uns pormenores que é sempre interessante saber!

    Obrigada por estas memórias!

  11. APC 26 Abril, 2008 / 12:18

    Bom, bom, bom… Digamos que esta, realmente, seria tudo menos discreta! :-))) Mas excelente! Ainda e sempre! 🙂

  12. Justine 26 Abril, 2008 / 12:05

    E são todos este episódios que vão fazendo a história, ou repondo a história verdadeira dos que nós, os da nossa geração, tivemos o privilégio de viver. Cabe-nos a nós a tarefa de perpectuar a memória.
    Obrigada por estares a fazê-lo :))
    Beijo, de Abril

  13. meg 25 Abril, 2008 / 17:06

    Meu amigo, podia fazer um tipo e carimbo mas vocês não o merecem. POrque só hoje consegui tirar um bocadinho para vir agradecer a todos os amigos que me acompanharam nestes últimos dias.
    Sem as vossas palavras e o vosso incentivo não teria resistido e não estaria aqui a dar-vos conta da minha gratidão.
    Um bom feriado e um abraço

  14. BIA 25 Abril, 2008 / 08:19

    “…Uma papoila, crescia…crescia…grito vermelho, num campo qualquer! Como ela… somos livres… somos livres… de crescer!”

    É sempre bom recordar, dizem que recordar é viver!

    Abraço terno

    BIA

  15. Maria 25 Abril, 2008 / 02:50

    E a Grândola foi escolhida depois do concerto no Coliseu dos Recreios de Lisboa, em Março de 1974….. quando todos nós a cantámos de pé e a balançar da esquerda para o lado contrário… 🙂

  16. mia 24 Abril, 2008 / 21:29

    Há já algum tempo visito, sempre com muito prazer, este sítio onde de todas as vezes aprendo alguma coisa. Muito obrigada pela generosidade do conhecimento partilhado.

(actualmente os comentários estão encerrados)