aguenta-te no balanço

Esta expressão enfatiza a necessidade de resistir a uma situação difícil, a uma contrariedade, a um choque porventura inesperado; ou seja, manter-se firme, a todo o custo, seja qual for a provação.
Chegar à nascente da sentença não é fácil, pela variedade de plausíveis conjecturas. Esta, pela vetustez e pela singularidade, merece referência. Ora acompanhe o raciocínio…
O balanço é expresso nesse sentido figurado de se controlar, dominando o movimento oscilatório, como no balanço ou balouço, o vulgar divertimento das crianças, também conhecido por redouça ou retoiça. Esta brincadeira de crianças é tão antiga que a sua origem, ao que parece, confunde-se com as mitologias do passado. E aí, provavelmente, estará a origem da expressão.
Ícaro, aliciado por Baco, ensinou aos atenienses o modo de produzir vinho. Alguns deles, depois de se embebedarem e julgando-se envenenados, mataram Ícaro, cujo cão correu para casa soltando uivos aterradores. Erígona, a filha de Ícaro, seguiu o cão e acabou por encontrar o pai, crivado de golpes. Desesperada, enforcou-se numa árvore.

Pouco tardou para que as raparigas de Atenas, seguindo o aloucado gesto de Erígona, se enforcassem pela mais fútil contrariedade. O oráculo, que foi consultado sobre qual o remédio a dar a tão terrível mal, respondeu que o castigo do céu não terminaria enquanto não fossem justiçados os assassinos de Ícaro. Logo se providenciou que os criminosos fossem presos e executados e, assim, cessou o castigo.
Mais tarde, em memória dessas desventuradas, jovens atenienses instituíram os jogos da redouça. Lançavam cordas a uma e outra árvore, onde as raparigas de Atenas iam balançar-se, figurando querer matar-se, mas a quem os deuses socorriam. Depressa a cerimónia acabou transformada em divertimento dos jovens. Os romanos tomaram-no aos gregos, e daí espalhou-se por todo o mundo.

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(quando me espalho, nem Deus me aguenta)