ao pintar da faneca

Um amigo meu usa frequentemente uma expressão que, apesar disso, não me sabe explicar a origem, queixava-se a Maria João. Dizia-me ela que, o amigo, quando se encontravam, saía-se com um cheguei ao pintar da faneca ou apareceste mesmo ao pintar da faneca.
O uso já não é vulgar, não, mas enfim, vamos à… faneca.
Que, como se sabe, é um peixe que, embora muito saboroso, tem o inconveniente de ser muito espinhudo. Daí que, faneca, frita-se (como diria o nosso D. Pedro IV, na chalaça dos três efes, que já vos contei), mas não se pinta. É verdade. Mas também é verdade que faneca é nome que se dá à castanha (na Beira Alta, e um pouco por Trás-os-Montes, é vulgar o dito quando pinta a faneca, já não se morre à fome). A castanha, no começo da sua maturação é branca e, conforme vai amadurecendo vai-se cobrindo de pintas (o que é vulgar com outros frutos, nomeadamente a uva, que até se diz pelo Santiago pinta o bago). Daí que por analogia com os frutos (no caso, a castanha) se diga que quando se chega no momento propício, então, é mesmo ao pintar da faneca, ou seja, chegar exactamente na altura certa.
Ó Maria João, quando estiver com o seu amigo já lhe pode explicar a origem. A ocasião é mesmo… ao pintar da faneca!

 

 

 

(a castanha tem má manha: vai com quem a apanha)