as escusas na lei antiga

São interessantes e até curiosas algumas instruções hebraicas sobre as leis da guerra. Determinavam, por exemplo, que no dia da peleja, antes da batalha, cada chefe fosse à frente dos seus soldados e gritasse, de modo a que fosse ouvido:
‘Haja algum homem que tenha edificado uma casa nova e a não tenha estreado? Se há, vá-se embora e torne a sua casa: não suceda que morra e outro a estreie.
Há alguém que tenha plantado uma vinha e ainda não a tenha feito comum(1) para que todos possam comer dela? Vá-se embora e torne para sua casa; não suceda que morra na peleja, e faça outro o que a ele lhe competia.
Há alguém que tenha esposado uma mulher, e todavia a não a tenha ainda em seu poder? Se há, vá-se, e torne a sua casa; não suceda que morra na batalha, e algum outro homem a tome como sua.’
Singular este preceito que sustenta bastar que o homem seja recém-casado para ter escusa da guerra, conforme se lê no Capítulo 24º do Deuteronómio, v. 5º, que diz ‘O homem que for casado de pouco tempo não sairá à guerra, nem se lhe imporá cargo algum público; mas poderá sem culpa alguma estar descansado em sua casa, e passar um ano em alegria com a sua mulher’.
Apesar dos sorrisos que facilmente se adivinham, a verdade é que eles pecam por sobranceira e precipitada conclusão. É que, na verdade, hoje somos bem menos latifundiários nessas matérias, já naqueles recuadíssimos tempos dos Profetas, apesar de todas estas e outras escusas, na hora da refrega, uma última fala se fazia aos soldados: ‘Há aí algum medroso ou de coração tímido? Se há, vá-se, e volte para sua casa para que não faça desmaiar com o seu exemplo, os corações dos seus irmãos’…
Ai se fosse hoje!…

(1) todo o fruto da vinha no 4º ano era consagrado ao Senhor; depois disso, no 5º ano, tornava-se comum. Isto é, qualquer um podia entrar na vinha alheia e comer as uvas que tivesse na vontade; o que não podia era levá-las.

.

 

13 comentários sobre “as escusas na lei antiga

  1. Carla Silva e Cunha 27 Outubro, 2008 / 20:08

    ola voltei….
    primeiro para agradecer o gentil comentáriuo e depois para seguir as novidades dos seus blogues…gosto de passar port cá e se me permitir cá voltarei sempre que me seja possível.

    já agora será que me pode dizer qual a tela de que gostou mais?

    Bem haja

    Carla

    http://www.arte-e-ponto.blogspot.com

  2. Ana Paula 26 Outubro, 2008 / 23:53

    Factos muitíssimo interessantes!

    Foi um prazer tomar nota destes preceitos que desconhecia.

    As coisas do arco da velha que aqui se acham, valem sempre muito a pena! :):)

    Desejo um óptimo início de semana…

  3. mdsol 25 Outubro, 2008 / 19:42

    Sempre interessante, pedagógico e didáctico! Sao daqui sempre melhor um pouco!
    :))

  4. Carlos Rebola 24 Outubro, 2008 / 22:31

    Aqueles eram preceitos de humanismo e de respeito pela vida humana, parece que hoje se esqueceram que até na guerra há valores que devem ser respeitados.

    Abraço
    Carlos Rebola

  5. Filomena Barata 24 Outubro, 2008 / 21:54

    belo o nome do blogue, essa permanência da tinta no papel. A edição? Que pena (e sem nostalgia falo, será???) terem-se perdido alguns valores na guerra e na Paz.

  6. Vieira Calado 24 Outubro, 2008 / 18:30

    Olá!
    Só para dizer-lhe, em relação ao post em Astronomia, que, apesar disso, os astrólogos continuam a ignorar a ciência, que contradiz o que eles proclamam.

    Bem haja!

  7. bettips 23 Outubro, 2008 / 22:15

    Muito gostava eu que alguém, “mudando um pouco as palavras” – e sabes de certeza o que mudaria nestas últimas – o dissesse aos nossos políticos … era vê-los todos de rabo entre as pernas, num mar de brumas (não neste, que é por demais belo!). Livrávamo-nos de tantos…
    Bjinho

  8. Justine 23 Outubro, 2008 / 11:33

    A foto – imperdoável o esquecimento -é de uma força e beleza mágicas

  9. Justine 23 Outubro, 2008 / 11:29

    Espantosas, estas escusas de guerra! Muito parecido com os hábitos de hoje, não há dúvida…

    (e aquela questão da vinha é muito curiosa- mais uma coisa aprendida!)
    Abraço

  10. Ana Ramon 23 Outubro, 2008 / 00:06

    Mais uma vez saio daqui com informação que desconhecia
    :)))))))
    Pensava eu que nessa altura seria muito pior do que hoje. E afinal… muito bonito
    Beijinhos

  11. APC 22 Outubro, 2008 / 01:49

    Um ano de alegria até que é uma média bastante sensata! Ao fim de menos tempo já muito(a)s prefeririam ir para a guerra! 😛

    (Estou a brincar, é evidente. E ainda mais no que respeita à guerra).

  12. cristal 21 Outubro, 2008 / 17:12

    Quando eu era pequena, na aldeia em que cresci, não era considerado roubo tirar qualquer fruto desde que fosse para comer ali. Levar qualquer peça de fruta não era bem visto. Será que foi daquele preceito judeu que provinha o costume???

(actualmente os comentários estão encerrados)