as flores que nós (não) queremos

1 de Maio de 1974

 

(…) era o dia de cantar (…)





” Já tínhamos cravos, rosas e papoilas, mas não eram verdadeiramente flores. Brotavam nos campos, irrompiam nos jardins, floriam nos quintais, com o aroma impregnado do sangue e do suor de quem as arrancava à terra de sol a sol, à terra que via o homem trabalhar, sabe Deus para quê e para quem.
Germinaram, agora, de chofre, em todo o seu esplendor, no cano de uma espingarda resgatadora. Pulularam nas mãos de um povo que, entre beijos, abraços e lágrimas de sã alegria, escolheu o cravo e a papoila, arvorando-as em porta-vozes da mais lídima Liberdade.
Flores que entre o abraço ao soldado e o beijo a uma criança, apadrinharam o despertar de um mundo novo.
Flores! Cultivem-nas. Acarinhem-nas. Dêem-lhes água de todas as fontes e de todos os dias. Reguem-nas com o vosso trabalho e com a vossa amizade. Não as deixem morrer, nunca. Os cravos e as papoilas que ontem vimos são as flores que nós queremos. “

(Lisboa, 2 de Maio de 1974, Simões Ilharco, jornalista do Diário de Notícias)
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9 comentários sobre “as flores que nós (não) queremos

  1. jawaa 4 Maio, 2008 / 17:40

    É curioso que vinha aqui agora ver se contavas a história de onde e quando e porquê o dia 1º do 1ºde Maio…
    Acontece que poucas pessoas sabem a sua origem nos EUA.
    A propósito, tu que és mestre de pesquisa, acaso sabes por que no Canadá não se comemora o dia do trabalhador neste dia internacional?
    Um abraço.
    Ah, belo post!

  2. david santos 4 Maio, 2008 / 12:28

    Olá, tinta permanente!
    Era o dia de contar, mas ou contou-se mal ou não soubemos contar bem.
    Resta-nos tentar mudar a situação existente sem andar apontar erros e nada fazer. Os que nos estragaram a revolução, já estão marcados. Por isso, agora é saber pôr a nossa razão em prática, porque sobre os bandidos que têm dado cabo de tudo, já esté tudo dito: é mandá-los para a prisão. Mas temos que ser nós a fazê-lo e não deixar que eles continuem a roubar o pouco que resta.
    Nós também temos o nosso quinhão de culpa.
    Parabéns.

  3. Justine 3 Maio, 2008 / 23:03

    É emocionante ler de novo os gritos plenos de alegria pura,que os jornais não calaram nesses dias!
    Quantos anos passados e quantas ilusões perdidas pelo caminho!
    Mas esse dia e o seu empolgamento ninguém nos tira!
    TP, obrigada por nos trazeres a ternura desses recortes amarelecidos pelo tempo .

  4. un dress 3 Maio, 2008 / 14:41

    perdemos a qualidade de guardadores de jardins? ~

  5. Maria 3 Maio, 2008 / 03:29

    Arrepiei-me…..

    🙂

  6. ivone 2 Maio, 2008 / 23:18

    lembraste_me ricardo reis em
    “segue o teu destino
    rega as tuas plantas
    ama as tuas rosas

    o resto é sombra
    de árvores alheias”

    assim só e apenas isso mais nada meu amigo

    .i

  7. APC 2 Maio, 2008 / 20:11

    Palavras sentidas, que se sentem…

  8. meg 2 Maio, 2008 / 19:39

    Olhei para estes jornais e lembrei-me desse tempo em que aos fins de semana chegava a comprar catorze (14) jornais… Porquê? Coisas da vida, Tinta Permanente!!!!

    Um abraço e bom fim de semana

  9. Maria Laura 2 Maio, 2008 / 19:09

    Um dia de felicidade sem mácula. Na verdade, o primeiro (o último também?) de alegria perfeita.

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