bambochata

No linguajar mais popular, este termo significa pagode, patuscada, folguedo, funçanata ou troça. Curiosa (diria, até, inusitada) é a sua origem…
Nascido na Holanda (embora haja quem o diga flamengo), por volta de 1580 ou 1590, o pintor Peter Van Laar viveu grande parte da sua vida em Itália (viria a falecer em 1644), onde ficou conhecido pela alcunha de Bamboccio. De baixa estatura e corcunda, o epíteto assentava-lhe bem, visto que bamboccio era o diminutivo de bambo (menino), que se aplicava aos bonifrates ou bonecos de arames.
Bamboccio tornou-se célebre pelas suas telas que representavam, na sua maioria, cenas burlescas de festança popular, tainada ou reinação, plenas de grotesco, com tonalidades bem fortes e vincadas. Estas pinturas de Bamboccio passaram a ser conhecidas bambochatas, nome que dai se generalizou, por extensão, para designar qualquer rambóia ou folia, especialmente rural.
Diga-se a este propósito, que o pintor Domingos Sequeira (1768-1837) era exímio em improvisar interessantes desenhos sobre qualquer assunto que lhe apresentassem e que ele designava por bambochatas. Dizia uma crónica da época: ‘Numa folha de papel pintavam vários pontos com o bico de uma pena e, disparatadamente se lhe dizia o que havia de fazer de cada um daqueles pontos: este vai ser um olho, aquele um nariz, o outro um pé… Ele pegava o carvão e improvisava o que se lhe pedia, fazendo uma bambochata...’.
Existe, no Museu de Arte Antiga de Lisboa, um quadro de Bamboccio, intitulado Interior de uma taberna.
(ver grotesco)

 

 

 

(entre couve e couve, alface)

23 comentários sobre “bambochata

  1. gaivota 13 Julho, 2009 / 15:48

    aprendemos sempre…
    em tudo!
    beijinhos

  2. M. 13 Julho, 2009 / 15:36

    Engraçado como depois da minha longa ausência (que a minha saúde pregou-me algumas partidas entretanto) venho encontrar uma palavra que há muito não ouvia e que o meu pai usava com frequência. E de novo o prazer de te ler, e de aprender, que neste caso não fazia ideia da origem da palavra.

  3. Ana Ramon 13 Julho, 2009 / 11:13

    Olá amigo. Que bom que é tornar a ler-te, aprender coisas e ouvir a voz maviosa da Cristina Branco. Há que séculos que não vejo a Brigada Victor Jara a actuar 🙁
    Obrigada por nos abrires as portas deste teu cantinho tão acolhedor.
    Um beijinho grande

  4. Idun 13 Julho, 2009 / 07:21

    estes posts encaminham-nos aprazivelmente pelos caminhos do saber.
    o museu de arte antiga: tantas tardes que a minha Humana lá passou, vendo e revendo, dizendo e ouvindo. tardes de domingo,habitualmente, "seladas" com um pastelinho de belém, mastigado com mais conversas… 🙂
    enfim, alimentar o corpo, os olhos e a alma.
    marradinhas amistosas da bicharada do pequeno jardim

  5. pin gente 12 Julho, 2009 / 19:12

    não conhecia a origem, apenas a palavra.
    o meu pai usa-a com alguma frequência.
    abraço
    luísa

  6. Violeta 12 Julho, 2009 / 11:54

    Eis um termo que não conhecia.Um beijo e até breve!

  7. Justine 12 Julho, 2009 / 10:26

    Acabei de aprender uma expressão contigo, da forma mais agradável: através do teu cuidado texto. E lá vou eu direitinha ao Museu de Arte Antiga na próxima oportunidade!
    Um abraço de bom domingo:))

  8. Arabica 9 Julho, 2009 / 19:27

    :))
    o mistério das palavras…
    beijinhos

  9. Licínia Quitério 8 Julho, 2009 / 16:35

    Que curioso. Do arco-da-velha, diria mesmo.
    No Embalo me deixei embalar.
    Abraços.

  10. Rosa dos Ventos 8 Julho, 2009 / 10:59

    Nem conhecia o termo!
    És um mestre!

    Abraço

  11. mdsol 8 Julho, 2009 / 11:37

    :)))))
    [Já sabe que me esgotou há muito tempo os adjectivos…]

  12. A.Meirelles 7 Julho, 2009 / 21:49

    so conhecia o van gog e poucos mais alguns.
    abraço

  13. MagyMay 7 Julho, 2009 / 18:20

    Nunca ouvi tal palavra…lá aprendi eu!!!
    Imagino quadros interessantes com aquilo do "pintavam vários pontos com o bico de uma pena e, disparatadamente se lhe dizia o que havia de fazer de cada um daqueles pontos: este vai ser um olho, aquele um nariz, o outro um pé… Ele pegava o carvão e improvisava o que se lhe pedia…’.
    Abraço de agradecida

  14. Teresa Durães 7 Julho, 2009 / 14:19

    curioso como as expressões aparecem

  15. São 7 Julho, 2009 / 14:26

    É sempre de grande utilidade e prazer vir até esta casa, pois aprende-se algo, sempre.
    Bem haja!

  16. APC 6 Julho, 2009 / 23:08

    Que se não queira mediania sequer na "escritaria", diz-nos bocelência, sem o dizer, com tal escrever!
    Sim, porque o texto está (olhá novidade!) très bien adjectivado! Longe, bem longe estava eu de saber alguma coisa sobre tais bambocharias. E ó tempo que eu não me cruzava com a palavra "bonifrates"! 🙂
    Abalo no belo embalo…

  17. Isamar 6 Julho, 2009 / 22:33

    É um prazer vir ao teu canto, amigo.O principal objectivo da blogosfera, partilhar conhecimento , é aqui inteiramente cumprido.
    Bem-hajas!
    Sempre muito grata, deixo-te um abraço com amizade.

  18. mena m. 6 Julho, 2009 / 22:03

    De bambochata nunca tinha ouvido falar…
    Mas como sempre deliciei-me com o que aqui nos ensinas!
    A canção de embalar, essa é linda e fez-me sentir-me pequenina!
    Também nós adultos, precisamos por vezes que nos embalem!
    Beijinho

  19. Baila sem peso 6 Julho, 2009 / 16:36

    Peço desculpa, meu amigo
    Hoje concentrei-me no som!!!!
    Li a bambochata com atenção
    Fi-lo para minha instrução…
    e já agora não querendo ser chata 🙂
    a frase amarelinha seu dom
    mas foi o Embalo que ficou comigo 🙂

    Um abraço do coração

  20. gaivota 6 Julho, 2009 / 14:37

    cá vim aprender mais qualquer coisita…
    valha-nos isto, neste nosso portugal…
    beijinhos

  21. Dulce 6 Julho, 2009 / 12:20

    Sempre que passo por aqui, aprendo alguma coisa! Desta vez uma nova palavra (tão estranha?, um pintor e sua história. Obrigada!…

  22. José Brandão 6 Julho, 2009 / 10:12

    Este blogue será tudo menos uma…bambochata! É um prazer enorme vir aqui. Aprende-se, aprecia-se o gosto, a estética, a música (esta, lindissima, não a conhecia) e sai-se ficando logo à espera do artigo seguinte.
    Obrigado,amigo Tinta!
    J. Brandão

(actualmente os comentários estão encerrados)