caixa de 20 amigos…

As férias são sempre férias. As férias são sempre mais ao jeito dos tempos do que das gentes. Por isso é que sempre há tempo sem férias, tempo em que se inventam férias e férias que não existem no tempo…
Durante largo período do século passado, muitas férias resumiam-se a um dia de passeio anual. Uma excursão quase sempre programada e angariada, durante todo o ano, semana após semana, pelas caixas de 20 amigos.
(perguntaram-me o porquê de 20, os amigos, e não 15, 35 ou outro número qualquer; sem querer afiançar certezas, julgo que a conta – a origem do número – é fácil de ser feita: vinte eram os amigos, na maioria casados e fisgados num belo passeio com a sua cara-metade. Ora, se 20 são os amigos, com mais 20 as caras-metades, feitas as contas dá, mais coisa menos coisa, a lotação de uma camioneta…)
As pessoas juntavam-se, por vizinhança, ruas, hábitos de cafés, mercearias, tabernas ou paróquias, e ao jeito e empenho do escolhido para gerir a caixa, pagavam, religiosamente, a sua semanada para a passeata de camioneta que, no dia aprazado por todos, os levaria, estrada fora, à cidade nunca vista, ou Senhora de qualquer devoção, em romaria de truz, que lhes iria encher o dia e a alma com recordações para toda a vida. Que o estômago, esse, ia à partida bem prevenido com o arroz de frango, os croquetes, os panados, o peixe frito, os nacos de bacalhau, a sêmea e, pois ‘tá claro!, os garrafões do tinto e do branco.
Alguém se encarregava de fazer o pano, geralmente de sarja ou de estopa, que amarrado com quatro pontas de corda, se espalmava na traseira da camioneta, anunciando o grupo e o destino da paródia; quase sempre com o acrescento de um boneco a condizer.
‘Os amigos do andaço’, ‘Compadres da reinação’, ‘Os pardais sem ninho’, ‘Andores na estrada’, ‘Vamos finos vimos grossos’

Estes foram alguns dos grupos que passaram pelo Bom Jesus de Braga, Santa Luzia em Viana do Castelo, à Penha em Guimarães, Barcelos e Aveiro. Buçaco ou Figueira da Foz, um chisquinho mais longe, já obrigava a reforço na quotização…
Depois, aos poucos, chegou o tempo do fim. Das passeatas, dos panos com o nome dos excursionistas, dos grupos, e até dos 20 amigos.
O arroz de frango já não é o que era…

 

 

 

(para ir para a festa não há perna que manque)