cantaste? agora dança!

Cantaste?, agora dança!, diz-se de quem usufruiu e gozou vantagens ou alegrias, sem pensar nas agruras do futuro.
A origem da frase está na célebre fábula A cigarra e a formiga. A propósito, Bocage reescreveu-a assim:

Tendo a cigarra em cantigas
folgado todo o Verão,
achou-se em penúria extrema
na tormenta da estação.
Não lhe restando migalha
que trincasse, a tagarela,
foi valer-se da formiga
que morava perto dela.
Rogou-lhe que lhe emprestasse,
pois tinha riqueza e brio,
Algum grão com que manter-se
té voltar o aceso Estio.
Amiga – diz a cigarra –
prometo, à fé de animal,
pagar-lhe antes de Agosto
os juros e o principal.
A formiga nunca empresta,
nunca dá, por isso junta.
No Verão em que lidavas?
à pedinte lhe pergunta.
Responde a outra: Eu cantava
noite e dia, a toda a hora.
-Oh, bravo! – tornou a formiga –
cantavas? Pois dança agora!

 

 

 

 

(cantando tudo me esquece ou chorando tudo me alembra)

8 comentários sobre “cantaste? agora dança!

  1. APC 21 Fevereiro, 2007 / 02:52

    Eu cá nem digo nada, porque também cá cigarrei o meu quê! :-S
    Deixo um abraço, pode?
    PS – Bela foto!

  2. bettips 20 Fevereiro, 2007 / 23:32

    Ele há coisas “do arco da velha”. Hoje o meu post (e não tinha lido este!) tem duas formigas…das que trabalham. Como diz acima a Maria M e a Marta, sou duma angustiosa ambivalência com esta fábula que me persegue! E só conheço forretas que trabalham pouco! Abç

  3. Anónimo 18 Fevereiro, 2007 / 07:40

    Nunca concordei lá muito com a formiga…
    Embora não se possa cantar sempre, a verdade é que também não se pode ser tão forreta!!!
    Mas gosto muitíssimo de fábulas: no entanto, desde miuda que esta me dá muita tristeza.
    Um beijo de agradecimento por me fazer recordar.
    Maria Mamede

  4. Isabel José António 17 Fevereiro, 2007 / 10:37

    Caro(a) Amigo(a) Tinta Permanente,

    Estava a “passear” entre blogues e vim aqui parar ao este seu.
    Este texto da Cigarra e a Formiga, tenho a impressão de que vem de, há muito tempo atrás, muito mal contado.
    Parece que só o trabalho é que é importante ou que o lazer também o seja, por exclusão da outra parte.
    O que se passa é que todos temos que arranjar tempo para tudo.
    Até há quem faça do cantar, do divertir (ou tentar) os outros uma profissão.
    Logo há é apenas que ter discernimento para saber em que ocasião se deve cantar ou trabalhar.
    Não também quem, trabalhando ouça simultaneamente música?
    E ainda há quem trabalhando sinta e tenha a música dentro de si e se sinta sempre embalado.
    Canta! Canta alto a melodia
    Que vinda da Mãe Natureza
    Te enche a alma de alegria
    Espantando a vil tristeza
    Trabalha também a seu tempo
    Emprega nele toda a energia
    Faz uma pausa sente o vento
    Que tudo varre numa alquimia
    Trabalha e canta se fôr o caso
    Inunda todo o teu profundo SER
    Que nesta vida não existe acaso
    Mas apenas a capacidade de VER

    Muitos parabéns pelo blogue.
    Um abraço e bom fim de semana.
    Isabel António

  5. veritas 17 Fevereiro, 2007 / 00:45

    Mais uma vez os ditos animais irracionais ensinam os ditos racionais…
    Bom fim-de-semana.

  6. Kimangola 16 Fevereiro, 2007 / 23:13

    Olá!!
    Aos dois (texto e foto) achei-os deliciosos, degustados como um manjar dos Deuses, sobre a mesa posta do Universo.
    Meu agradecimento e admiração para esta “Criação”.
    Peço permissão para mencionar os dois.
    Kimangola

  7. marta 16 Fevereiro, 2007 / 16:57

    Sempre tive um sentimento ambíguo com esta fábula.
    Adoro a cigarra e acho a formiga uma miserável forreta.
    Adoro a formiga e acho a cigarra uma miseravel valdevinas.
    Mas não é que gosto tanto de valdevinos…
    Mas não é que respeito tanto quem trabalha bem como a formiga…

  8. bomdiaisabel 16 Fevereiro, 2007 / 14:35

    Ouvir cantar faz bem à alma de quem
    pode usufruir desse benefício.Abençoada cigarra que, sem cachet, alegrava o trabalho da formiguita.
    Quanto a ti, meu caro amigo, num momento em que me preparo para trabalhar, agradeço-te o novo post.
    Beijinhos

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