cata-ventos

Os cata-ventos têm origem na época romana. Primitivamente nas torres, nos castelos, simulavam a forma de uma bandeira. No entanto, posteriormente adoptados nos campanários e cúpulas dos edifícios religiosos, depressa se generalizou a figura do galo como forma corrente e cimeira dos cata-ventos.
Aventa-se que esta ave servia para lembrar ao clero, a vigilância. Na verdade, são várias e por vezes diversas, as teses que procuram historiar a genealogia dos cata-ventos
A cruz, dizia uma autoridade no assunto, colocava-se sobre uma bola para simbolizar a redenção do mundo por Cristo, e o galo, corroboram vários autores, colocava-se por cima da cruz, como memorial ao arrependimento de Pedro, depois de renegar o Mestre. Há, porém, quem afirme que o costume de adornar as torres com uma cruz e um galo deriva, não dos romanos, mas dos Godos, os quais usavam o galo como insígnia guerreira. Colocavam um galo nas copas das árvores sagradas, e consideravam-no não só como vigilante, mas também como profeta do tempo, e acreditavam que o seu canto afugentava os espíritos maus e todas as calamidades.
O galo também era sagrado na Índia e na Pérsia. Cícero dizia que os antigos reputavam o acto de matar um galo como um dos mais horrendos crimes que se podia cometer.
Os actuais cata-ventos são, indubitavelmente, a herança daquelas (e outras) velhas ideias e costumes. Segundo a mitologia solar, a origem de todas estas tradições e habitudes é devida ao facto de se empregarem aves domésticas como personificação do Sol, e é assim, dizem os mitólogos, que a pérola que a galinha procura na estrumeira, não é outra coisa do que o seu próprio ovo, e o ovo da galinha celeste é o próprio Sol, e a galinha da fábula dos contos infantis que põe os ovos de ouro, é a galinha mitológica (terra ou céu) que dá à luz, cada dia, o Sol.
Ainda existem outras, muitas, explicações. Mas deixo-vos o relato de uma velha superstição, segundo a qual o galo põe um ovo durante a sua vida; e se o dito ovo for incubado, nascerá uma serpente (o basilisco), a qual é um ser que tem a faculdade de matar, com a vista, a primeira pessoa para quem olhar.
Não seja por isso que vá agora deixar de apreciar os belos cata-ventos que ainda se vêem por muito lugar!