espera galego

De espera galego era o nome dado aos primeiros fósforos de madeira que surgiram para substituir as mechas de enxofre.
Estes fósforos, ainda muito rudimentares, obrigavam a alguns compassos de espera, depois de a massa de fósforo ser incendiada pelo atrito sobre uma substância rugosa composta de massa e limalha de ferro. Era necessário, feita a combustão, afastar a mão de modo a evitar inalar as emanações do enxofre, até que se fixasse a chama.
Nesses primórdios, o processo de acender um fósforo, era algo complicado e demorado.
E isso obrigava a um tempo de pausa, expectavelmente enervante.
Daí que, de acordo com o traço característico dos galegos (especialmente imigrados por todo o Minho e, também, em Lisboa), tidos como indolentes e retardatários, por analogia, tenha surgido o rifão que, claro, significa espera e aguenta.

 

 

 

(quem está atrasado vai para Brinches)

pelas ruas da amargura

Quem anda pelas ruas da amargura, com certeza que palmilhará um trilho tortuoso, aflitivo e difícil; será a rota de quem tem uma vivência penosa e atribulada.
A origem poderá ter várias interpretações. A mais vulgarizada alude à Via Sacra, o caminho de Cristo até ao Gólgota: torturado e aviltado, Jesus teria percorrido, literalmente, as ruas da amargura.

Outra hipótese admissível leva-nos até ao século XVIII, quando era uso de a justiça fazer os condenados caminhar pelas ruas, submetendo-os aos escárnios da populaça; o castigo tornava-se ainda mais vexante por causa dos trajes (sambenitos) que vestiam.

 

 

 

(todos os caminhos vão dar à ponte, quando o rio não tem nenhuma)