relógio de sol

Vi esta inscrição debaixo de um relógio de sol, quando passei por uma capela perto de Carragosa, no Parque de Montesinho. Como não sei Latim recorri a tradutores que me dizem o ‘número de horas não só o brilhante’. Não entendi, mas fiquei curiosa. Pode ajudar-me?, pede-me a amiga Cândida Machado.
Pois… os tradutores electrónicos quase sempre… não traduzem.
Vamos lá, então: a inscrição a que se refere a Ana é Horas non numero nisi serenas que quer significar Não marco horas que não sejam serenas. Embora que assim seja perceptível e entendível, devemos ter em atenção à possível ambiguidade da expressão.
Esta e outras expressões (a propósito, cito outra mais abaixo) eram muito vulgares sob os relógios de sol que, exactamente por assim serem, de sol, só funcionavam com bom tempo. Lógico. E é aí, nesta frase, que poderá haver um trocadilho com a ambiguidade semântica do adjectivo serenus que, desde a época clássica, tanto pode indicar alegre, tranquilo, como sereno e límpido, aqui em sentido atmosférico.
Independentemente destas variantes, creio que o sentido fica perceptível.
Por curiosidade, com acima refiro, quando criança, perto de Viana do Castelo, também existia uma capela com um relógio de sol, que tinha uma inscrição relacionada com o próprio relógio. Dizia:
Sum umbram. Et umbra etiam es tu. Recipio sptatium. Et tu? que, traduzindo, seria Eu sou uma sombra.
E sombra também és tu. Eu tomo conta do tempo. E tu?”.
Antigamente os relógios não diziam só as horas, não acham?

 

 

 

(todas as coisas têm hora)

mais vale um pássaro na mão…

Mais vale um pássaro na mão, que dois a voar, sentença bem conhecida que encerra uma moralidade tantas vezes ignorada, que pode ser trocada por uma outra, mais taxativa, que diz quem tudo quer tudo perde.
Ao que parece ser a hipótese mais consensual, a sua origem estará no empirismo que resulta da caça. Os caçadores entendem ser mais avisado apanhar logo o animal ou a ave atingida de raspão, antes que possa fugir, do que tentar atirar nos que estavam por perto e já em fuga, situação em que tem grande probabilidade de errar o alvo.

 

 

 

 

(com vontade de ter tamancos mete os pés em bocas de cântaros)