o homem mais velho

Embora seja mais ou menos consensual que Matusalém é o homem mais velho referido na Bíblia, a verdade é que tal ideia é absolutamente errada! Matusalém teria vivido, mais coisa menos coisa, uns míseros 970 anos; nem aos mil teria chegado.
Enquanto isso, o profeta Enoque, pai de Matusalém, é bastante mais velho, como vamos ver…
De facto, segundo a Bíblia, Matusalém, que é famoso por ter sido o homem que mais anos viveu, não viveu tantos mais assim que, por exemplo, o seu avô Jared, que viveu 962 anos. Cainan viveu 910. Mahalaleel, 895, Lamech, 777, Noé, 950. Isto só para citar alguns.
Apesar de todas estas personagens bíblicas terem sido anormalmente velhas, todas, excepto uma, morreram de modo perfeitamente normal. A excepção é, efectivamente, Enoque, que era um adolescente de apenas 360 anos, quando Deus o levou. Vivo!
Enoque nunca chegou a morrer: uma distinção a que nem Jesus Cristo teve direito!
Daí que, Enoque, hoje, vivo, repito, terá perto de 5500 anos, mais semana, menos semana…
No Novo Testamento, São Paulo reitera a história da imortalidade de Enoque, na sua Epístola aos Hebreus:
‘Pela Fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara: pois antes da sua trasladação teve o seu testemunho de que agradara a Deus’ (Hebreus 11:5).
A este propósito, o filósofo Descartes acreditava que devia ser possível a todos os seres humanos viveram tanto tempo quanto viveram os patriarcas bíblicos – cerca de um milénio – e estava convencido de que estava prestes a descobrir o segredo, quando morreu, em 1650. Tinha, então, 54 anos…

 

Nossa Senhora…’da Mão de Vaca’

Não será exagerado afirmar que, por todo o país, poucos devem ser os lugares de referência religiosa (especialmente capela, ermida ou singela orada) que não tenham a sua lenda, o seu conto, alicerçado num qualquer prodígio ou, nas mais das vezes, em graças especiais concedidas a um devoto ou peregrino, isto, claro, ocorrido naqueles tempos felizes em que a Senhora ou os Santos cuidavam de vir a este mundo com mais frequência.
Entre muitas, tantas que temos lido, vem hoje à lembrança o enredo tecido à volta de Nossa Senhora das Brotas (perto de Mora, no Alentejo), a quem o povo também chamou Nossa Senhora da Mão de Vaca. A origem desta curiosa invocação, conta-a o Padre António Costa, na sua Corografia Portuguesa.
No século V, aí pelos anos de quatrocentos e tantos, um zagal muito pobre, mas homem de bem e temente a Deus, andava por esses lugares apascentando o seu gado. Eram vacas, poucas, os animais que pasciam naquele chão desigual feito de cômoros cerrados e de perto cercado de cavados barrancos.
Uma das vacas, talvez mordida por qualquer mais renhido tavão, afastou-se da manada, campo fora, largada em correria desgo-vernada. Na doida fuga e de tino perdido, não tardou que se fosse precipitar numa profunda barroca.
O pastor bem lesto acudiu mas, quando che-gou à beira da rês, encontrou-a já morta. Chorou, coitado, aflito, a sina do animal e, para que a perda não fosse tamanha, tratou de lhe tirar a pele. No afazer já lhe tinha decepado uma das mãos, que ficara partida na queda, quando os olhos se lhe pregaram numa luz deslumbrante que alumiou o fundo do barranco.
E, no mesmo instante, junto do pastor e do bicho morto, estava Nossa Senhora, sorrindo. O homem, assarapolhado, cai ali de joelhos, enquanto a Senhora, estendendo a mão sobre a vaca morta, a levanta viva e sã. E, logo de seguida, desvanece-se tal como a luz que extasiou o pastor.
Quando, ainda meio entontecido, conseguiu refazer-se do espanto, olhou para o chão e, no lugar onde estava a mão decepada da rês, viu uma imagem da Nossa Senhora feita com o osso cortado. Correu logo à aldeia a contar o sucedido e mostrar a imagem do milagre.
O povo, no lugar onde se dera o prodígio, construiu uma ermida onde foi colocada em ornado altar a imagem de osso feita. E tanta fama de milagrosa teve esta Senhora, e tamanhos foram os grupos de romeiros, que a antiga capelinha se transformou numa linda e grande igreja. Até aos dias de hoje, vejam bem!
E esta é a lenda da Nossa Senhora de Brotas. Ou melhor dito: a história da Nossa Senhora da Mão de Vaca