votos de fim-de-ano

Há sempre um tempo para reflexões. Ou não. Tanto assim como essas reflexões serem novas ou velhas. De grande valia ou apenas caídas em saco roto. De uma forma ou de outra, sempre foi assim. E, curiosamente, dito e redito, quase sempre, do mesmo modo…
Neste final de ano, ora fique lá com este sábio e velho (com mais de 400 anos) conselho:
O tempo sem pôr tempo vay correndo
Sem tempo não se vão as cousas vendo,
Por tempo o tempo vay profetizando,
Do tempo o tempo só pode ir fallando
Que o tempo mostra o tempo que vay sendo,
Com o tempo vão se os tempos entendendo,
Que o tempo varios tempos vay mostrando.
Nunca o tempo perdido he mais cobrado
Que se o tempo nos tira o que é presente,
Mal pode dar o tempo o que é passado:
O tempo gaste bem todo o prudente
Que se o tempo que gasta he bem gastado
Todo o tempo passado tem presente.

(André de Avellar, lente das Mathematicas da Universidade de Coimbra, in Chronographias, 1594)

De onde vem o Pai Natal

De onde vem o Pai Natal? A resposta, conforme a idade de quem responder, provavelmente será Pólo Norte, Lapónia ou, até mesmo, Coca-Cola. Mas a verdade é que o Pai Natal –e já agora, também o S. Jorge…- é turco!
São Nicolau nasceu e viveu naquela cidade que hoje é conhecida por Demre, no sudoeste da Turquia. Bispo de Mira (antiga designação da Turquia), a sua existência ainda hoje permanece um verdadeiro caleidoscópio de fantasias. Do seu amplo historial de milagres, ressalta que a maioria envolve crianças (conta-se, num deles, que devolveu a vida a três meninos que tinham sido degolados, pelo taberneiro local, retalhados e postos num tanque de água salgada), mas certamente estendeu largamente as suas benfeitorias a julgar pelo facto de também ser patrono dos juízes, penhoristas, ladrões, comerciante, padeiros, marinheiros e, até tão estranhamente, dos assassinos. Mais: ainda é o santo padroeiro de Amesterdão e da Rússia.
Também, ao contrário do que geralmente se supõe, as suas vestes vermelhas não tiveram causa nas imagens de Sundblom, para a Coca-Cola, na década de 30 do século passado. A origem é, com toda a probabilidade, o poema A Visit St Nicholas (mais conhecido por The Night Before Christmas), do americano Clement Clarke, escrito em 1822, que alimentando o mito do Pai Natal, desloca a lenda para a véspera de Natal e, em vez do sisudo São Nicolau, descreve um homem atarracado e gordo, de olhos cintilantes e enormes barbas brancas, de roupas vermelhas ornadas com pêlo, umas renas com nomes engraçados, um trenó que aterrava nos telhados das casas e, claro, um enorme saco cheios de brinquedos. Tornou-se, desde então, um dos poemas infantis mais populares de todos os tempos. E, tamanha foi a sua popularidade que, ainda hoje, em Rovaniemi, capital da Lapónia, onde o Pai Natal recebe o seu correio oficial, em cada Natal por lá vão chegando mais de um milhão de cartas.
Parecendo não ter gostado muito deste secular sucesso, desde 1969, o Vaticano despromoveu o Santo, acabando com o cumprimento obrigatório da festividade do seu dia, a 6 de Dezembro…

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(Pai Natal não existe, afiançou a Gata Borralheira)