votos de fim-de-ano

Há sempre um tempo para reflexões. Ou não. Tanto assim como essas reflexões serem novas ou velhas. De grande valia ou apenas caídas em saco roto. De uma forma ou de outra, sempre foi assim. E, curiosamente, dito e redito, quase sempre, do mesmo modo…
Neste final de ano, ora fique lá com este sábio e velho (com mais de 400 anos) conselho:
O tempo sem pôr tempo vay correndo
Sem tempo não se vão as cousas vendo,
Por tempo o tempo vay profetizando,
Do tempo o tempo só pode ir fallando
Que o tempo mostra o tempo que vay sendo,
Com o tempo vão se os tempos entendendo,
Que o tempo varios tempos vay mostrando.
Nunca o tempo perdido he mais cobrado
Que se o tempo nos tira o que é presente,
Mal pode dar o tempo o que é passado:
O tempo gaste bem todo o prudente
Que se o tempo que gasta he bem gastado
Todo o tempo passado tem presente.

(André de Avellar, lente das Mathematicas da Universidade de Coimbra, in Chronographias, 1594)

7 comentários sobre “votos de fim-de-ano

  1. elvira carvalho 3 Janeiro, 2009 / 15:43

    Depois de uns dias de ausência, (desta vez foi o pc que foi para o hospital) estou de regresso.
    Agradeço-lhe e retribuo os votos de bom 2009.
    Um abraço e bom fim de semana

  2. Bartolomeu 2 Janeiro, 2009 / 11:12

    Será que a última palavra do poema tem três tempos?
    1º tempo:
    Se o tempo for bem gasto… então esse tempo será relembrado, tornar-se-ha presente, tanto tempo quanto a memória daquele tempo se mantiver.
    2º tempo:
    Sendo o tempo bem gasto, ou seja, gasto de forma adequada, muito provávelmente, resultará em presente, quer dizer… em dádiva, o que nos remete para o pensamento do lavrador… se a sementeira for feita no tempo certo, a colheita será boa, será um presente da natureza.
    3º tempo:
    Sendo o tempo passado, ou, decorrido gerador de novo tempo, dado que o tempo não se finda, torna-se o tempo passado, em recorrente, logo, ou não existe tempo, ou é sempre e somente o tempo.
    Resumo: Será o tempo, como dizia o meu amigo Jacques Brel, é uma valsa a três tempos que por acção do "não-sei-o-quê" se transforma numa valsa à mille temps?
    http://www.youtube.com/watch?v=qCit1RP3uys
    Ou será que é como dizia a minha amiga Janis Joplin "there's no tomorrow, there's no yesterday… it's allways the same fuk'in day man".
    http://www.youtube.com/watch?v=ju9yFA1S7K8&feature=related

  3. Justine 2 Janeiro, 2009 / 10:15

    Imtemporal, esse André de Avellar! E interessante!
    Que o tempo deste 2009 te dê para que todos os teus projectos se concretizem:))

  4. mena m. 1 Janeiro, 2009 / 15:37

    Vou ter tempo para dar aqui um saltinho de tempos a tempos…

    Bom Ano!

    Um abraço de uma Berlim gelada!

  5. APC 30 Dezembro, 2008 / 00:11

    Grata pelo teu tempo! 🙂

  6. mdsol 29 Dezembro, 2008 / 22:22

    Muito obrigada pelo conselho…Bom ano!
    :))

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