provérvios (outra vez…) em Dezembro

Em Dezembro, lenha e dorme
Dia de Dezembro, má ventura, ainda bem não amanhece já é noite escura
Dezembro frio, calor no Estio
Depois de Santa Luzia (13) minga a noite e cresce o dia
No dia de Santa Luzia minga a noite e cresce o dia, mas, enquanto Cristo não nasceu, nem mingou nem cresceu
No dia de Natal têm os dias bico de pardal
Em Dezembro descansa, mas não durmas
Entre o Menino e o Tomé (21), três dias é
Do Natal ao S. João, ora conta, seis meses são
Em chegando ao S. Tomé, todo o tempo noite é
Por Santo Estevão (26) cada perdiz com seu perdigão
Neste mês de inverneira as histórias são à lareira
Pelo Santo Ambrósio (7), frio para oito dias
Dezembro diz: olha que o governo está na boca do saco; até Janeiro qualquer burro passa o regueiro, mas para a frente tem de ser forte e valente; se não tens governo, depois arreganhas o dente
Natal a assoalhar, Páscoa ao luar
Natal na praça, Páscoa em casa, Espírito Santo (dia de Corpo de Deus, festa móvel geralmente em Maio ou Junho), faz o ano franco
Ande o frio por onde andar o Natal o irá buscar
Dia de S. Silvestre (31) nem no alho nem na reste
Conceição (8) molhada, Menino (25) seco
Pelo Senhora da Conceição deita as favas à terra
Dezembro quer lenha no lar e pichel para o andar
Em Dezembro, a uma lebre galgos um cento
No Natal mete as ovelhas no curral
No dia da Senhora da Conceição as favas ao chão; pelo S. Tomé, carregam da ponta ao pé; eu semeio quando me faz conta e carregam do pé à ponta
Em Dezembro treme o frio em cada membro
O S. Nicolau (6) traz neve no chão
…e por falar em S. Nicolau (Pai Natal): de onde vem o Pai Natal?

a Casa Balsemão

Quando o fidalgo José Alvo Pereira de Azevedo mandou construir este belo casarão, há mais de duzentos e cinquenta anos, um bom bocado fora das muralhas da cidade, ali para as bandas da Porta do Olival, onde o rio Frio alagava um extenso campo a que chamavam a Horta do Olival, longe lhe estava a imaginação de supor a atribulada existência que o edifício iria ter…
Ganha o nome de Casa Balsemão por volta de 1800, quando a filha deste nobre Pereira Azevedo casa com seu primo, Luís Pinto de Sousa Coutinho, visconde de Balsemão. É este Guarda-Mor da Torre do Tombo que, lente em Filosofia, transforma a casa numa das mais ricas e completas bibliotecas do país, graças ao seu interesse e dedicação às letras. Pouco daquele valioso espólio, valha a verdade, teria o futuro assegurado: os franceses, aquando da invasão da cidade, saquearam-lhe mais de metade e, mais tarde, a sua fidelização miguelista fez com lhe fosse confiscado praticamente todo o resto. O visconde Balsemão pouco tempo sobreviveu ao desmorono da sua biblioteca.
Durante o Cerco, a casa serve de hospital, depois de arrecadação, fica vazia e velha, deteriora-se, até que António Peixe a transforma em hospedaria. Que depressa perde o fausto inicial e quase lhe determina inglório fim. O que, felizmente, não veio a acontecer. No começo da segunda metade do século XIX, a casa é vendida a José Sousa Bastos, fidalgo da Casa Real, regressado do Brasil onde aferrolhara considerável fortuna. Este é o Visconde da Trindade, e dele são as armas que, ainda hoje, encimam o frontal do Palácio do Visconde da Trindade, como passaria a ser conhecido. O palácio vive, então, anos de opulência: renovado e com belos jardins, serve de palco a sumptuosas festas e, curiosamente, é neste período que vem a nascer o Teatro Carlos Alberto (o mesmo que chega aos nossos dias associado ás recentes edições da Fantasporto). Mais tarde, já no começo do século XX serve de instalações à nova Companhia do Gás, depois os Serviços de Gás e Electricidade e à EDP. Até 1996, altura em que ali se instalam, ainda hoje, os serviços da Cultura e Turismo, da Câmara.
Se não lhe bastasse este rico historial (que muito aperrado resumo aqui se obriga), sobra-lhe uma página gloriosa de romantismo: durante parcos dias, em Abril de 1849, no tempo em que a Hospedaria do Peixe tinha todo o luxo, alambicamento e grande fama, lá esteve como hóspede, Carlos Alberto, rei da Sardenha, cuja aura de baluarte do liberalismo fez exultar toda a cidade. Doente, fraco, vencido e exilado quando chegou ao Porto, acabaria por sucumbir à tísica pouco depois. Mas para trás ficou uma história de liberdade que, recorde-se, tão cara era às gentes do Porto que ainda tinham na lembrança, de poucos anos passados, os quantos, e tantos foram, tinham morrido por ela.
Daí que, a Praça dos Ferradores, onde estava a Casa Balsemão, a Hospedaria do Peixe ou o Palácio do Visconde da Trindade, como lhe queiram chamar, a praça, dizia, hoje se chame… Praça de Carlos Alberto.