ruas e querelas à moda do Porto…


Nos começos do século XVIII, o geógrafo D. Luíz Caetano de Lima, escrevia que ‘as ruas do Porto eram assás formosas por serem lageadas de pedras mui largas e compridas’.
Um dia, porém, os mata-cachorros (como lhes chamava Antero) da Câmara, lembraram-se de substituir tal forma de pavimento por um outro, modernidade importada de França, feito de pedra ovalada e miúda, vulgarmente chamada seixos, instaurando assim um novo conceito de rua, ruela ou praça. Ora, na verdade, o autor de tal projecto foi o reformador da cidade, D. João de Almada (que a cidade bem conhecia – a ele e ao Marquês de Pombal – por causa das questão dos vinhos…), que alegava ser o novo tipo de pavimento muito mais vantajoso, até para os próprios animais.
Nessa altura, também no Porto, havia um escritor, bem conhecido, o Padre Agostinho Rebelo da Costa que, por muitos e variados assuntos, tinha abrasadas questiúnculas com D. João de Almada. Vai daí, aproveitando a feitura de um livro sobre o Porto que estava a escrever, tratou de incluir um apropriado raspanço ao criador de tal destrambelho nas ruas da cidade. E para dar mais lustradela ao seu dizer, escreveu-o em latim.
Que, traduzido, dizia assim: ‘Ó, que tal é a nossa vida hoje, que temos de nos sacrificar para comodidade das bestas!’
Tal-qualmente.  

 

 

 

(todos os caminhos vão dar à ponte quando a ponte não tem nenhuma)

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