gosta de baunilha?…


A planta da baunilha é um dos mais belos e sensuais membros da família das Orquídeas. Floresce na ilha quente e húmida de Madagáscar, uma antiga colónia francesa, onde as plantações variam desde pequenos pedaços de terra a extensas herdades. Ainda hoje, nas mais cuidadas produções, as plantas são polinizadas a mão pelas fécondeuses: mulheres e crianças que diariamente passam entre as plantas, durante o período de floração de dois meses. As vagens são de tal modo preciosas que, em algumas criações, chegam a ter gravado o cunho do proprietário.
A transformação destas vagens verdes e inodoras em brilhantes e aromáticos feijões passa por diversos processos. Durante cerca de dez dias são alternadamente cozidos e colocados em estufas antes de serem postos a secar, artificialmente ou ao sol, durante cerca de cinco meses. Por fim são exportados em caixas metálicas, revestidos de papel a prova de gordura.
Como a baunilha é tão delicada e importante, a sua genuinidade é constantemente ameaçada, apesar dos esforços daqueles que a cultivam e a secam. Os chorudos negócios da falsificação do sabor da baunilha começaram no século XIX, e desde a viragem do século que a própria palavra tem sido abusiva e frequentemente utilizada por gigantes produtores de químicos.
São vendidos diariamente litros de gelados e toneladas de bolos ditos de baunilha que desta não tem nem um bocadinho; apenas o nome…
O seu paladar reside na vanilina sintética, uma substancia muito mais barata, extraída do licor de sulfito, utilizado no tratamento da pasta de madeira para fabrico do papel.
Bom Natal!

 

Vila Nova de Gaia e Bragaque têm em comum?


Depois que, por meio de um apertado assédio de dez anos, os gregos conquistaram Tróia e depuseram Menelau, alguns dos seus heróis embarcaram com as suas tropas e fizeram-se ao mar. Um ou outro (há quem defenda que um deles seria Ulisses), acabou por se aproximar das costas da Lusitânia, para descanso e ao abrigo das inclemências do oceano. Entraram na enseada do Douro, a que chamaram cale (cale de cales, que significa porto bom, fresco e seguro). Seria daí que, mais tarde, de porto e de cale se teria formado o nome de Portugal.
Naquela enseada, por volta de 1080 A.C., estes navegantes escolheram o sítio mais abrigado e aí levantaram uma povoação a que chamaram Gaya, nome que apropriava a curva que ali o rio fazia, em forma de cajado.
(Gayetaé o diminutivo deGaya, e tem, segundoEstrabão, a mesma significação – Gayetam sic esse appelatum a sinus curvitate, cuia omnia curva locorum idiomate, sic soleni nominari -)
Os Gayos viviam de modo muito precário; apenas possuíam algumas jangadas, poucas canoas feitas de um só madeiro, que utilizavam para a pesca que, segundo Brito, era o único modo de vida que tinham; era gente, no entanto, pacífica e de bom viver, conta Brito (o historiador Das Antiguidades da Lusitânia).
Foi esta gente que, mais tarde os cartagineses encontraram quando, com o seu capitão Emilion, tomaram o rio na foz do Douro, sacudidos por um violento temporal. Os cartagineses, bem recebidos pelos gregos de Gaya, de tal modo que por ali ficaram os que não puderam voltar por terem perdido os seus barcos na tormenta que os arrostara para a costa. Ficou, no entanto, a promessa de os mandarem buscar logo que os companheiros chegassem à pátria.
Casaram os cartagineses com filhas dos gregos, viveram em tão boa harmonia que não quiseram voltar quando, mais tarde, chegaram os companheiros para os fazer regressar.
Passados anos, os cartagineses pediram aos gregos de Gaya que, em sinal de amizade e laços de parentesco, lhes permitissem a edificação de uma cidade nas terras de entre Douro e Minho, e que esta cidade ficasse isenta de tributos e pudesse ser governada apenas pelas leis e costumes dos seus fundadores. Souberem os gregos que tudo iria ser feito em boa paz, pois do outro lado estavam não só as suas filhas como também os filhos destas, seus netos. E deixaram que os anciãos cartagineses escolhessem o local.
Partindo eles de Gaya, em direcção ao norte, escolheram o local onde, mais tarde os romanos iriam estabelecer a sua Bracara Augusta (Braga), já nessa altura uma das mais notáveis cidades daquela época. A sua fundação foi, crê-se, por volta do centésimo ano antes de Cristo. E, segundo Brito, deram-lhe o nome de Braga em recordação do rio Bragada, ou Bragado, que fertilizava as terras africanas de onde eles eram naturais.

Nota sobre o mapa: O navegador grego Pytheas foi o primeiro clássico a chegar à Inglaterra, a que ele chamou Britannia ou Pritannia. Ele e outros escritores, com Estrabão, escreveram sobre as incursões dos gregos, fenícios e cartagineses, principalmente, pela costa europeia desde Gibraltar até Inglaterra. Ptolomeu traduziu tudo no seu atlas, Geographia, publicado por volta do ano 100 e que viria a ser estudado e traduzido pelos florentinos, cerca de 1400.