chamar nomes


No Porto ou em Viana do Castelo, levantaram-se algumas questões, sim, além das mais de circunstância, outras até sem círculo, circunferência ou distância. E, agora, que projecto? Acrescentada, uma outra edição? Não! Há que honrar a ‘velhice’, disse; e até aproveitei, para espevitar o apetite, para ir pondo as actualizações aqui, mas para já… em ponto morto. Sabe a origem? Não? Quem lá esteve soube, quem não soube vai saber, por estas bandas, mais coisa menos coisa…

Também, parelhamente, houve quem fosse perguntando, mas, melhor dito, adágio, será assim? Ou, provérbio, será assado? Não vale a pena fazer estrugido (refogado, como outros dizem…): é consante queiram…
Pode ser adágio, pode ser provérbio. Anexim. Ou dito. Tanto faz. Escolha.
Teófilo Braga denomina-os indiferentemente no seu ‘Adagiário Português’. Leite de Vasconcelos ou a Senhora Dona Carolina Michäelis também os nomeiam de modo indistinto. Teófilo Braga, na sua obra, acrescenta a denominação de anexim e outra coisa a que chama provérbios glosados. Outro autor diz que tem uma colecção de ditados de rifoneiro. Há que tenha ditos e, lá mais para riba do Minho, há quem diga, lindamente, que ‘este dizer é cá um ditame que nós usamos’.
Na verdade, estamos a falar de algo que, basicamente, não tem (nunca teve) qualquer pretensão erudita ou, sequer, acrescentar o que seja ao linguajar das gentes. Apenas dar uso a qualquer coisa criada ao acaso, com uma finalidade prática, juntando-lhe aqui ou ali, uns salpicos de coisa tão vária quanto o humor, a filosofia, a sabedoria, o conselho ou, mais prosaicamente, uns greiros do sal da malandrice.

Às vezes – e não são poucas… – com enunciações bem diferentes para o mesmo ‘corpo’, apenas que vestidas com as farpelas de cada lugar. Por exemplo:
cada um no seu lugar’ ou ‘cada santo no seu nicho’, em Portugal:
cada macaco no seu galho’, no Brasil;
cada caranguejo no seu buraco’, em Angola.

(Já agora, mesmo que seja ‘pregar aos peixinhos’, bom seria que ao invés de quererem plastificar a Língua com trabalho ordinário, cuidassem de preservar os dialectos locais, modo bem mais eficaz de enriquecer e vivificar a Língua…)
Daí que, voltando à treta do começo: escolham a adjectivação que quiserem. E quando quiserem. Por mim, ao cabo deste tempo, já vou por aí fora…
Adágio, aforismo, parémia, pensamento, verso, verbo, regra, máxima, exemplo, apotegma, conceito, berbão, ensinamento, gnoma, axioma, preceito, anexim, brocardo, dito, palavra, ditame, princípio, chufa, prolóquio, provérbio, parémia, regra, sentença, vesso, rifão, refrão, apodo, ditado, verbão, juízo, dizer, alegoria, divisa, antelóquio, epodo, lição, intenção, postulado, estribilho, landainice, motete e…
… lá vão 46.  

Entre um ou outro, será que nos vamos encontrar, proximamente, em S. João da Madeira? Em Lisboa? Ou na Maia?…
Até lá!

 


Apresentações:
Lisboa, dia 9 de Dezembro, 17:00 horas,
na Biblioteca do Museu da República e Resistência.
S. João da Madeira, dia 14 de Dezembro, 21:30 horas,
na Biblioteca do Município.
Maia, dia 15 de Dezembro, 19:00 horas,
na Biblioteca do Município.

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