por que tem a Maratona 42.195 metros?…

O que para alguns é fútil bagatela, para outros será pegada a seguir, para descobrir interstícios de emaranhada narrativa. Afinal, a maratona, para além dos redondos quarenta quilómetros tem mais dois porquê? E aquela minudência dos poucachinhos 195 metros, é o quê, hã?!…
Já que estamos em tempo das (muitas) de S. Silvestre,  vamos então ao assunto.
Nas três primeiras Olimpíadas Modernas, a Maratona foi corrida numa distância aproximada de quarenta e dois quilómetros. Esta distância teve origem na história, em 490 a.C., de um mensageiro grego, chamado Pheidippides, que correu essa distância, de Maratona a Atenas para relatar a vitória dos atenienses sobre os persas. Segundo a mesma história, Pheidippides, entregou a mensagem e, depois, caiu morto.
Mas, na verdade, esta história é isso mesmo: uma história. A versão aparece, pela primeira vez, com o historiador romano Plutarco (cerca de 45 d.C.), ou seja, quase 500 anos depois! Ele chama ao corredor Eucles. Admite-se como mais provável que ele tenha feito confusão, com outra história, muito mais antiga de Pheidippides, registada por Heródoto, que nasceu seis anos após a famosa batalha e cuja narrativa é, assim, a mais aproximada que existe de um relato contemporâneo à época.
Então, segundo Heródoto, Pheidippides correu de Maratona não a Atenas mas a Esparta (que são 246 km!…) em busca de ajuda para neutralizar o ataque persa. Os espartanos estavam ocupados com um festival religioso, por isso correu de volta e os atenienses tiveram de combater os persas sozinhos…
(embora haja aqui um pormenor sui generis: enquanto numa narrativa Pheidippides cai redondo ao cabo de 43 quilómetros, na outra, depois de 246 quilómetros, retoma outros tantos de volta…)
Mas as voltas da Maratona não acabam aqui: como já vimos, nas primeiras Olimpíadas Modernas elas tinham uma distância aproximada de 42 km, a tal distância tida como lendária do guerreiro Pheidippilis. Acontece que, em 1908, os Jogos Olímpicos realizaram-se em Londres e a linha da partida foi posta frente a uma janela do Castelo de Windsor, na qual metade da família real podia assistir, e com a meta em frente ao camarote real, no estádio Withe City, onde a outra metade da família real estava à espera.
Só que esta distância era de quarenta e dois quilómetros e cento e noventa e cinco metros. E assim, simplesmente, passou a ser esta a distância padrão de qualquer maratona, a partir de então. Pode quem pode, dizia um personagem camiliano…
Realmente!…

 

 

 

(muito pode o galo no seu poleiro)

ora experimente lá!…

as arremedas e as desarremedas

 

De todos os saberes de almanaque de cultura popular, geralmente interligando a meteorologia, a agricultura e alguma tradição ou crença, surgiu uma forma curiosa de prever o estado do tempo para o ano inteiro. São, no dizer do lavrador as arremedas e as desarremedas. De que se trata?…
Bom, talvez por um lado tenha sido o querer saber antecipadamente o estado do tempo mas, por outro lado, não deixa de haver aqui muito da tentação divinatória do Homem à mistura com algum pragmatismo relativamente às perdas e ganhos nas colheitas, tão necessário no seu quotidiano.
Assim, explica-se, sobre as arremedas e as desarremedas: ‘arremedar o tempo que fará, é prever o estado atmosférico dos meses do ano’. A operação chama-se arremeda porque os dias que servem para a previsão climatérica, imitam, isto é, arremedam os meses respectivamente convencionados. Como estiver o dia do arremedo assim será o mês correspondente. A arremeda do ano faz-se, então, por observação do estado atmosférico dos dias, que decorrem entre o dia de Santa Luzia (13) até à véspera do nascimento do Menino (24), no ano anterior.
A regra adoptada, será então:

o dia 13 de Dezembro arremeda (será igual) o mês de Janeiro do ano seguinte,
o dia 14 de Dezembro arremeda o mês de Fevereiro do ano seguinte,
…e assim sucessivamente.

Mas, para tirar as dúvidas, faz-se a desarremeda que é, nem mais nem menos, a prova real da operação da arremeda. Ou seja, consiste em refazer o que está feito, repetindo para isso a operação, depois de terminada e, claro, logo a seguir a ela. A segunda leitura irá confirmar ou prejudicar a primeira; terminadas que sejam as duas séries de observações, a segunda é a que, definitivamente, vai valer.
As desarremedas, serão, pois:
o dia 25 de Dezembro desarremeda e marca Janeiro,
o dia 26 de Dezembro desarremeda e marca Fevereiro,
etc. etc.

Não se sabe, nem se pode considerar como adquirido, que astrólogos e camponeses procedam da mesma forma e utilizem os mesmos métodos para as previsões do tempo. Sabe-se, isso sim, que esta prática é tão antiga quanto a ligação do Homem à terra e há saberes de almanaque referidos desde o século XI.
Mesmo que esta sabedoria peque por grosso defeito, a verdade é que parece duvidoso que sem essa mesma sabedoria, da qual os almanaques parecem ser apenas uma pequena parcela, alguma vez o Homem tivesse conseguido produzir a mais das míseras cenouras. Aposta?
Experimente…

 

 

 

(bom saber he callar, ate ser tempo de fallar)