Os Reis Magos, o presépio e o Menino

 

Já acabou o Natal? A passagem do Ano? E os Reis, também?…

Então já posso perguntar:
Quantos foram os Reis que visitaram o Menino, quantos foram?…

Errado!

Provavelmente qualquer número entre dois e vinte. É verdade, é! Supôs-se que tenham sido três, por causa da referência a três presentes (o ouro, o incenso e a mirra). Mas só por isso. São Mateus é o único apóstolo que, nos seus Evangelhos, faz referência ao facto, mas nunca menciona o número. A maioria dos exegetas concorda que os vulgarmente mencionados como Reis Magos seriam, com muita probabilidade, astrólogos zoroastrianos. A assunção de que seriam três, apenas se começou a consensualizar a partir do século VII. Em 2004, o Sínodo Geral da Igreja, começou uma investigação sobre este episódio, apostando na revisão do Livro de Oração Comum. O seu comité constatou e decidiu que o termo Magos não era mais do que uma transliteração do nome usado na época pelos oficiais da corte persa, acrescentando (o que aumenta mais a confusão…) que poderiam muito bem terem sido mulheres: ‘Apesar de parecer muito improvável que esses oficiais da corte persa fossem mulheres, a possibilidade de um, ou mais, magos serem do sexo feminino, não pode ser definitivamente afastada’, concluiu o relatório que, a dado trecho, acrescenta: ‘Magos é uma palavra que não revela nada quanto ao número, à sabedoria ou quanto ao género. Os visitantes não eram necessariamente sábios, nem eram necessariamente homens’.

E, ao que nos diz São Mateus, aquando da vista, Jesus já era uma criança, embora ainda pequena, mas vivia numa casa e não num estábulo.

Por falar em estábulo

Jesus não nasceu num estábulo. Pelo menos de acordo com o Novo Testamento. A ideia de que Jesus nasceu num estábulo, é apenas uma suposição feita a partir de uma passagem do Evangelho de São Lucas que diz ter sido Jesus deitado numa manjedoura. Mais: não existe qualquer referência bíblica quanto à presença de animais no nascimento de Jesus. É claro que todos conhecemos a composição do Presépio, das casas e das igrejas, mas tal encenação só teve início mais de mil anos depois do nascimento de Jesus!…

Teria sido S. Francisco de Assis a ter o crédito de construir o primeiro Presépio, em 1223, numa gruta, nas colinas sobre Greccio. Colocou um pouco de palha sobre uma pedra lisa, pôs um bebé em cima e acrescentou gravuras de um boi e de um burro. Só. Nem José, nem Maria, nem Reis Magos, anjos, pastores ou ovelhas…

Mesmo que esta factualidade possa ser muito desenxabida, sem graça, sem magia, a verdade é que do outro lado sempre subsiste o mundo encantado do faz-de-conta!…

 

 

 

(ao luar de Janeiro vê-se a raposa no outeiro)

9 comentários sobre “Os Reis Magos, o presépio e o Menino

  1. tb 29 Janeiro, 2020 / 16:41

    Sempre achei que cada um escreve a história ao sabor da sua imaginação, criatividade e forma de olhar. Esta não foge à regra. 🙂
    Abraços

  2. Justine 14 Janeiro, 2020 / 14:49

    Em resumo: um aglomerado de mitos, tradições, invenções e especulações! E viva a imaginação humana!
    Gostei da reposição da história e da sua desmistificação na tua história.
    Abraços

    • jorgesteves 21 Janeiro, 2020 / 13:17

      a História é isso mesmo, amiga Justine.
      Desengane-se aquele que pensa que é apenas um repositório de factos…
      Abraço.
      jorge

  3. Rui Jardim 13 Janeiro, 2020 / 01:15

    Há uns anos já tinha lido o seu artigo sobre a Virgem Maria e agora também achei este muito interessante.

    • jorgesteves 21 Janeiro, 2020 / 13:14

      Já lá vão muitos anos, mesmo!…
      Obrigado e um
      Abraço.
      jorge

  4. Maria Inês 9 Janeiro, 2020 / 11:43

    Não fazia a menor ideia que pudesse ser assim. Como diz acho que mudar a história até é interessante.
    Beijo

    • jorgesteves 21 Janeiro, 2020 / 13:12

      É sempre interessante ver se a história tem… outro lado
      Abraço.
      jorge

  5. Bartolomeu Fernandes 7 Janeiro, 2020 / 17:27

    Se te referes aos que te mandei, foram todos os que tinha! É que já estava preocupado contigo. LOL
    Abração

    • jorgesteves 21 Janeiro, 2020 / 13:11

      Ora bolas! Nenhum trazia ouro!…
      Não te apoquentes; Passou com chá de malvas.
      Abraço, finório.
      jorge

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