páginas que (não) acabam

(…) Tudo paxa
mas custa tanto a paxare
Tudo isquece
mas custa tanto a isquecêre
Tudo morre
mas custa tanto a bibêre (…)
(oralidade de riba Minho)

 

Raramente temos poder decisório sobre o começo ou fim de qualquer coisa; e mesmo, quando isso tal nos parece, o engano se mostra tarde ou cedo. Já será, porventura, muito o saber, ver o fim a que se tende e, sobretudo, esperá-lo, sabiamente, com naturalidade. Querer suspendê-lo é quase sempre uma temeridade e desejar excedê-lo, então, é absoluta loucura. Porque – adivinha-se, aprende-se – o fim, a serenidade concede de igual forma, à alegria ou à dor.
Estas páginas chegaram ao termo da sua viagem.
Com o saber da exacta medida que valeu a sua existência. O mesmo saber que lhe dá a certeza de que nada termina, nada fenece. Tudo aquilo que acaba tem, inevitavelmente, o seu começo num outro lado qualquer.