páginas que (não) acabam

(…) Tudo paxa
mas custa tanto a paxare
Tudo isquece
mas custa tanto a isquecêre
Tudo morre
mas custa tanto a bibêre (…)
(oralidade de riba Minho)

 

Raramente temos poder decisório sobre o começo ou fim de qualquer coisa; e mesmo, quando isso tal nos parece, o engano se mostra tarde ou cedo. Já será, porventura, muito o saber, ver o fim a que se tende e, sobretudo, esperá-lo, sabiamente, com naturalidade. Querer suspendê-lo é quase sempre uma temeridade e desejar excedê-lo, então, é absoluta loucura. Porque – adivinha-se, aprende-se – o fim, a serenidade concede de igual forma, à alegria ou à dor.
Estas páginas chegaram ao termo da sua viagem.
Com o saber da exacta medida que valeu a sua existência. O mesmo saber que lhe dá a certeza de que nada termina, nada fenece. Tudo aquilo que acaba tem, inevitavelmente, o seu começo num outro lado qualquer.

26 comentários sobre “páginas que (não) acabam

  1. manuel luis 26 Outubro, 2020 / 19:41

    Ele há coisas do arco da velha! Cheguei aqui pela primeira vez, não está aqui um esqueleto mas um blogue cinco estrelas. É como os reformados, só acabam quando perdem a vida. Estou aqui a dar-lhe um pouco de vida.
    De 2006 até agora é um grande livro que vou lendo.
    Obrigado!
    Abraço

  2. tb 11 Outubro, 2020 / 17:40

    Vim. Matar saudades.
    Deixo um abraço ou dois.

  3. Jorge Araújo 19 Agosto, 2020 / 22:54

    Fica um vazio enorme, meu caro amigo. Também usei muitos dos seus artigos nas minhas aulas, que sempre entusiasmaram (e sobretudo interessaram os alunos). Seria ótimo que um dia qualquer voltasse à sua entusiasmante escrita.
    Um grande abraço e até um dia.

  4. Fernando Mourato 14 Agosto, 2020 / 23:31

    Julgo que também tem este endereço de email silenciado. Por isso deixo aqui a pergunta se estará disponível para vir a uma escola em Aveiro, como tem feito com alguma frequência noutras escolas, segundo me informou o nosso comum amigo Bartolomeu.
    Os meus agradecimentos pela resposta. Cumprimentos.

  5. Otília Martel (Menina Marota) 13 Agosto, 2020 / 14:26

    Estou uns tempos sem aqui vir e deparo-me com esta notícia.
    Fiquei deveras triste. Parece mesmo impossível, já que sou há anos admiradora e leitora destas páginas, mesmo que espantadamente esteja ausente, aqui volto. Sempre.
    Esperemos que esta ausência não seja prolongada e, muito menos, por motivos menos bons.
    Deixo um grande abraço e… Cuide-se!

  6. Bernardo Pereira 29 Julho, 2020 / 10:17

    Fazer o ninho atrás da orelha, à boca cheia, por uma unha negra, burro como uma porta, histórias de faca e alguidar, quem sai aos seus não é de Genebra, a culpa morreu solteira, entre a espada e a parede, dito e feito, suar as estopinhas, não há duas sem três, e… e…
    Vão ficar sem resposta estas e tantas outras que gostariam de lhe perguntar, meu bom amigo.
    Hoje apenas quero novamente agradecer o seu trabalho ao longo destes anos.
    Muito obrigado.

  7. Diana Sampaio 23 Julho, 2020 / 23:37

    Não me atrevo a duvidar que as razões de encerrar o Coisas também foram difíceis para si, meu querido amigo. Apenas queria deixar nota de que três turmas em Castelo Branco, mais uma na Covilhã e outra em Pinhel, vão sentir bastante a sua falta. Seria pedir muito, pelo menos, deixar aberto o acesso ao que existe?
    Já nos conhece e sabe que somos três colegas, que há muito se habituaram a seguirem as suas crónicas e com elas entusiasmar os nossos alunos.
    Muitas felicidades, Jorge.

    • jorgesteves 26 Julho, 2020 / 11:19

      Não foi, de facto, este o modo que pensei para encerrar estas Coisas. Mas, na verdade, não seria justo que não possibilitasse o que pedem. Por vós, amigas de há farta memória, mas sobretudo pelos vossos alunos.
      São sempre bem-vindos.
      jorge

  8. Noémia Cardoso 23 Julho, 2020 / 22:41

    Fiquei muito triste, meu amigo.
    Já foi dito e eu concordo que a sua vontade é que vale. Desejo-lhe muita felicidade.
    Não vai ser fácil encontrar outro que substitua o Coisas do Arco-da-Velha.
    Um forte abraço Jorge.

    • jorgesteves 26 Julho, 2020 / 11:15

      Obrigado pelas palavras e pela amizade,
      Abraço.
      jorge

  9. Fernando Monteiro 23 Julho, 2020 / 22:30

    O Coisas do Arco da Velha é uma referência na blogosfera há muitos anos. Embora o Jorge não estivesse presente lembro que foi um dos três blogues mais votados no Encontro de Blogues de 2009, em Coimbra. Isto só para dizer que é com muita tristeza que o vejo desaparecer. A vontade do autor é para respeitar e só me resta desejar-lhe muitas felicidades. E obrigado Jorge Esteves, de Viana como ele gosta se ser tratado.
    Um grande abraço.

    • jorgesteves 26 Julho, 2020 / 11:10

      Ao cabo dos anos as memórias abundam, amigo Fernando. Sempre grato pelas suas palavras, fica um grande abraço de amizade.
      jorge

  10. Helder Campos 23 Julho, 2020 / 17:47

    Espero que tudo seja por um novo desafio, meu amigo. Só assim não se poderá lamentar este acabar daquilo que não será facilmente de substituir. Obrigado por estes anos de boas leituras.
    Grande abraço

    • jorgesteves 23 Julho, 2020 / 18:55

      Não há nada que não seja substituível, amigo Helder. O agradecimento, esse, cabe-me a mim o maior quinhão: a sua ou de outros que fui colhendo ao longo destes já estendidos anos. Obrigado.
      Abraço.
      jorge

  11. José Frazão 22 Julho, 2020 / 17:46

    Amigo Jorge, penso traduzir o sentimento de muitos de nós ao afirmar que vamos sentir muito a falta dos seus escritos e da generosidade em ir respondendo às nossas questões, por vezes tão difíceis ou até estranhas. Espero que tenham sido boas as suas razões e, se puder, volte aqui onde tão boa comapnhia nos fez. Um grande abraço, bom amigo.

    • jorgesteves 23 Julho, 2020 / 18:51

      Fico muito grato, sempre, pelas suas amigas palavras. A generosidade é sua e de tantos outros amigos; ficará entre as coisas boas que perduraram na minha memória. Obrigado.
      Abraço.
      jorge

  12. Mário Ferreira 22 Julho, 2020 / 11:53

    Cumpra-se a sua vontade, amigo Jorge. Mas como vê muitos ficam desolados.
    Há um tempo que estava para lhe escrever a perguntar sobre a origem dda frase “esqueletos no armário”. Agora a quem vou perguntar?
    Muita saúde e um grande abraço.

    • jorgesteves 23 Julho, 2020 / 18:47

      Mário, ao cabo destes anos (creio uma mão cheia, pelo menos), por aqui ou pela sua página de tantas e deslumbrantes criações, sempre usamos uma saudável troca de opiniões, por vezes sobre questões que nos escapavam. Não fica para a história, aqui ou aí, memória de qualquer… esqueleto no armário,
      Tudo de bom, meu bom amigo.
      Abraço.
      jorge

  13. Margarida Mesquita 21 Julho, 2020 / 23:41

    Fiquei triste com a notícia. Desejo só que não sejam razões de saúde.
    Vai ser um grande vazio, meu amigo.
    Grande abraço.

    • jorgesteves 23 Julho, 2020 / 18:41

      Outras coisas surgirão, novos caminhos onde propiciar gratas experiências, creio.
      Não há vazio que ocupe o que a memória nos deixa, não é Margarida?
      Abraço.
      jorge

  14. Maria Laura 21 Julho, 2020 / 21:58

    Foram uns lindos e bons nove anos que caminhamos os mesmos trilhos, meu bom amigo. Não esqueço a sua preciosa ajuda a criar o meu blog (eu era, e ainda sou muito naba). Não o esquecerei Jorge e a sua tinta permanente vai fazer-me falta.
    Um xi coração muito apertado
    Laura

    • jorgesteves 23 Julho, 2020 / 18:37

      Foi gratificante poder ajudar e acompanhar os prieiros passos do que se tornou uma bonita página intimista, humana e cheia de frescura no olhar as coisas da Vida.
      Agradeço-lhe a companhia nestes anos, amiga.
      Abraço.
      jorge

  15. Abílio Cardoso 21 Julho, 2020 / 20:18

    Vai fazer falta, caro Jorge. A qualidade deste quilate não abunda por estes lados.
    Espero apenas que a partida seja por bons motivos.
    Deixo-lhe um grande abraço de agradecimento.

    • jorgesteves 23 Julho, 2020 / 18:34

      O agradecimento é por inteiro meu. Pelas sempre amáveis palavras de incentivo e pela amizade.
      Abraço.
      jorge

  16. Susana 21 Julho, 2020 / 18:07

    Leio o Coisas do Arco da Velha há doze anos. Vai doer-me.
    Sejam quais forem as suas razões espero que fique bem meu amigo.
    Agradeço-lhe este tempo todo meu amigo.
    Um grande abraço

    • jorgesteves 23 Julho, 2020 / 18:32

      Fico-lhe grato por este já longo tempo que, sabemos, nos deixou gratas memórias. Esse ganho é imperdível, Susana.
      Um caminho feliz, amiga.
      Abraço.
      jorge

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