ave de mau agouro

O conhecimento do futuro sempre foi umas das preocupações do ser humano.
Tudo servia para, de modos diversos, se tentar obter esse conhecimento. Ou, pelo menos, tentar antever alguma indicação. As aves, desde os tempos mais remotos, foram um dos recursos mais utilizados. Para se saberem os bons ou maus auspícios (avis spicium) consultavam-se as aves.
Nos tempos dos áugures romanos, a predição dos bons e maus acontecimentos era feita através da leitura do seu voo, do canto ou das entranhas. Os pássaros que mais atentamente eram seguidos no seu voo, ouvidos os seus cantos e aos quais se analisavam as vísceras eram, geralmente, a águia, o abutre, o milhafre, a coruja, o corvo e a gralha.
Ainda hoje, se repararmos, perdura a conotação funesta com qualquer destas aves.

 

 

 

(agouros, nem crê-los nem experimentá-los)

passar o risco

A expressão (e as suas variantes) passar o risco, passar do risco ou pisar o risco, significa, como sabemos, que se fez qualquer coisa que não devia ser feita, que qualquer acção ultrapassou os limites que, para isso lhe estavam adstritos, ou reconhecidos.
A sua origem, provavelmente, é inglesa, remonta ao século XVII e às frequentes viagens dos membros da Corte ou da Coroa.
Quando os nobres saíam para a província, os chefes das suas guardas antecipavam as chegadas, tratando-lhes de todos os preparativos para as suas necessidades e acomodações e, entre esses afazeres, um deles era marcarem, com um risco de giz, todas as casas que deveriam ser desabitadas para a temporária ocupação pelos nobres que estavam para chegar.
Um conhecido exemplo disso foi a visita que, em 1683, Maria de Médicis fez a Inglaterra e, por isso, a ordem dada a chefe da Guarda Real para marcar com um risco todas as casas de Colchester, que fossem necessárias para a comodidade do seu séquito.
Na obra Vida e Factos de Sir William Wallace, menciona-se que, em Edimburgo, havia, também, o mesmo costume. Acrescentando-lhe, no entanto, outros cambiantes: nessa cidade, os senhorios, quando desejavam desalojar os inquilinos, limitavam-se a marcar-lhes as portas das casas com um risco a giz!
Mais tarde, com a abolição deste tipo de absolutismo, o hábito manteve-se, porém, modificando-lhe o sentido. O risco já não era feito a giz, mas com cal e em frente às portas. Assim, era então, agora, proibido entrar, nas habitações assim marcadas, sem autorização do seu proprietário.
Assim, ninguém deveria pisar o risco, passar do risco ou, muito menos, passar o risco!…

 

 

 

(o abuso das riquezas é pior que a falta delas)