amigo da onça

A origem é assumidamente brasileira. Talvez seja de tempos idos, mas seria bastante vulgarizada por Andrade Maranhão, humorista e colaborador na revista O Cruzeiro (anos 20 a 60 do século passado), onde passou a satirizar essa espécie (demasiadamente vulgar…) de amigo, um sujeito baixote, sem pescoço e cara de fuinha, sempre de pose engomada. Mais tarde, numa entrevista, Maranhão explicaria que a criação da sua cáustica personagem se devia a uma velha historieta de cordel apanhada na sua meninice:
Dois amigos conversavam enquanto caminhavam pelo mato à procura de caça.
– E se agora aparecer ali uma onça?… O que é que fazes?
– Então?! Dou-lhe um tiro, claro!
– E se a espingarda se encravar?…
– Bom, aí, vai com o facalhão!
– E se te tivesses esquecido do facalhão?…
– Aí não tinha alternativa: trepava pela árvore mais próxima!
– E se não houvesse árvores por aqui?
– Fugia, claro!…
– Mas se estivesses mesmo cheiinho de medo?
– Ei!… Ó homem! Mas c’um raio: tu és meu amigo ou és amigo da onça?...’
Péricles de Andrade Maranhão, nascido no Recife em 1924, tinha apenas 20 anos quando criou o Amigo da Onça com o qual acabou por se fundir no último dia de 1961. Suicidou-se em casa, com gás da cozinha. Deixou um bilhete na porta do apartamento a pedir ‘se não quer ser incomodado, por favor não acenda fósforos‘.
(ver bafo de onça e amigos de Peniche)

 

 

 

(amigo de bom tempo, muda-se com o vento)