quinto dos Infernos

Quinto, era o imposto de 5 por cento que o reino português cobrava das minas de ouro, no Brasil. A nau que trazia esse imposto para Portugal ficou conhecida, na gíria da altura, como a nau dos quintos. Ora, como nessa mesma nau eram enviados os degredados, o povo, acreditando que Quintos era, porventura, o nome das paragens distantes e terríficas do destino desses desgraçados, costumava dizer, lastimando-os, à partida: ‘foram para os Quintos dos Infernos’…
Cabe aqui, a este propósito (e a mais algum que possa também calhar, já agora…), transcrever um soneto de Nicolau Tolentino, alusivo ao assunto:
No dia em que chegou a nau dos quintos
Se a larga popa trazes alastrada,
c’os prenhes cofres de metal luzente,
que importa, ó alta nau, se juntamente
vens de pranto e penhoras carregada?
Para ver tanta cara envergonhada
e pôr no Limoeiro tanta gente,
para isto sulcaste a grã corrente
dos ventos e das ondas respeitada?
Se alegras uma parte da cidade,
ergues na outra um sórdido porteiro
vendendo trastes velhos por metade:
Traz bens e males teu fatal dinheiro
uma alta paz aos homens de verdade
um estupor a cada caloteiro.

 

 

 

(para enriquecer muita diligência e pouca consciência)