muita merda

Peculiar e interessante este jargão muito conhecido e usado nos meios artísticos e que é usado para desejar boa sorte, felicidade e sucesso nas actuações em palco. De tal monta que, muito entranhada e acautelada é a convicção de nunca desejar sorte a alguém, pois isso iria ter efeito contrário.
Embora existam várias versões para explicar a expressão e o seu uso, a mais consensual vem desde o século XVI.

A quase totalidade das pessoas que acorriam aos salões e salas de espectáculos pertenciam a estratos sociais que se faziam deslocar em carruagens puxadas por cavalos. Naturalmente, seria razoável pensar-se que quanto maior fosse a assistência, mais carruagens teriam passado nas imediações do teatro e, consequentemente, mais animais e, assim, maior quantidade de excrementos haveria espalhada pelo chão.
Como mais e maiores plateias eram sinónimo de abundantes receitas, tornou-se óbvio desejar muita merda aos artistas que se preparavam para apresentar o seu trabalho.

 

 

 

(quanto mais se lhe mexe mais fede)

carapau de corrida

O gabiru, o tipo que se acha mais esperto do que os outros, quem tem bitafe de engendrar esquemas para enganar o parceiro, o ardiloso sempre à espreita da oportunidade, é o chamado carapau de corrida.
Porquê carapau (que até nem é dos peixes mais rápidos…) e porquê de corrida?
Já li quem defenda a origem em Lisboa, e quem entregue a paternidade aos tripeiros. Em comum, o cerne da história. Os pormenores, bom, variam um pouco.
Vamos ao carapau

Entre o meado da década de quarenta e os começos da de cinquenta, no século passado, uma fábrica de bicicletas começou a produzir umas novas bicicletas, agora equipadas com uns pequenos motores de baixas cilindradas. Nasciam as bicicletas motorizadas, que iriam consagrar o nome dessa fábrica, a Vilarinho e Moura, Lda. Eram as motorizadas Vilar! Não tardou que alguém lhes descobrisse o veio(1), não das mudanças, mas do negócio: uma caixa em chapa, com rodas e engatada à traseira da motorizada, permitia sair da lota com mais peixe, mais rapidamente e com maior raio de acção.
Assim ia o carapau, porque era o peixe mais barato, mais acessível a um maior número de pessoas… de corrida. As canastras e as peixeiras, essas ficavam irremediavelmente para trás, sujeitas às camionetas ou aos eléctricos e depois, ao peso e ao calcorreio das ruas. Desta feita, o carapau de corrida (porque na verdade ele tinha vindo a correr) podia ser vendido mais barato (em consequência da quantidade e da antecipação). Nas ruas ele era anunciado pela campainha da bicicleta e as pessoas vinham à porta. Chegou o carapau de corrida.

Ao que parece, em Lisboa, o carapau de corrida, tinha outra variante: a lota vendia o peixe em leilão descendente (do peixe mais caro até ao mais barato). Havia peixeiras que esperavam pelo peixe do final da lota, indo depois a correr tentando chegar e vendar ao mesmo tempo que as outras peixeiras. Nem todas as freguesas se deixavam enganar pelas peixeiras aceleradas, percebendo bem que aquele carapau era… de corrida.
Com ou sem variante, as hipóteses vão dar ao mesmo.
(1)A ideia depressa foi consagrada pelas fábricas e logo apareceram os atrelados de fabrico industrial, mais robustos e com outro acabamento que, entre o mais, permitia mais carga e mais segurança na condução.

 

 

 

(depressa se toma o rato que só sabe um buraco)