as paredes têm ouvidos

É melhor falar baixo, porque as paredes têm ouvidos, diz-nos que convém baixar a voz porque, ao redor, alguém pode escutar a nossa conversa, o que não me, ou nos, interessa.
A origem deste vulgar brocardo parece ter vindo de Catarina de Médicis, a italiana rainha consorte de Henrique II, da França. Mulher ambiciosa, astuta e ávida de poder, com uma profunda influência sobre o marido e também sobre os seus filhos.
Ao que consta, teria gizado todo o seu poder à custa de várias ciladas, invencionices  e artimanhas, algumas com verdadeiros requintes de imaginação e habilidade.
Uma delas teria sido um complicado sistema de tubos secretos, escondidos nas paredes, chaminés e lareiras, que uniam todas as salas do palácio real, o Louvre, de modo a poder ouvir tudo o que se dizia, mesmo na mais arredada sala.
Com ou sem tão estrambótico artifício, a verdade é que reinou até morrer.
E sendo, sempre, uma desbragada peste.
Isto digo eu, baixinho, que as paredes têm ouvidos!…

 

 

 

(quando se ouve o tiro, a bala já vai longe)

baptismo de fogo

Temos aqui um óptimo exemplo de uma locução que, no século XIX, mudou completamente de sentido.
Até então (primeiras décadas do século XIX) referia-se ao martírio a que foram submetidos os hereges, no período da Inquisição. Eles, os que não tinham sido baptizados, recebiam, ao morrer na fogueira, o derradeiro (exemplar para os outros…) baptismo de fogo.
Porém, já na recta final do século, Napoleão III aplicou-a erroneamente, com os seus soldados, que entravam em combate pela primeira vez, exultando-os, no confronto que seria seu baptismo de fogo.
E com a Inquisição já diluída na memória, o postulado sobreviveu, agora com um novo sentido.
(ver Inquisição)

 

 

 

(não há guerra de mais aparato que muitas mãos no mesmo prato)