muita merda

Será possível proferir tal asneirola sem roçar, por pouco que seja, a boçal obscenidade? Pode. E mais ainda, é enunciada por amizade, apoio e solidariedade.
Peculiar e interessante este jargão – proclamando merda ou muita merda, assim mesmo – bastante conhecido, usado particularmente nos meios artísticos e que serve para desejar boa sorte, felicidade e sucesso nas actuações em palco.
De tal monta que, muito entranhada e acautelada é a convicção de nunca desejar (ou mesmo dizer a palavra!) sorte a alguém, pois isso iria ter efeito contrário.
Já sabia!, dirá um número bem razoável de pessoas, mas…
O interessante está na origem do dito que, embora existam outras versões para explicar o seu uso, a mais consensual vem desde meados do século XVI.

A quase totalidade das pessoas que acorriam aos salões e salas de espectáculos pertenciam a estratos sociais que se faziam deslocar em carruagens puxadas por cavalos. Naturalmente, seria razoável pensar-se que quanto maior fosse a assistência, mais carruagens teriam passado nas imediações do teatro e, consequentemente, mais animais e, assim, maior quantidade de excrementos haveria espalhada pelo chão.
Como mais e maiores plateias eram sinónimo de abundantes receitas, tornou-se óbvio desejar muita merda aos artistas que se preparavam para apresentar o seu trabalho.

 

 

 

 

(quanto mais se lhe mexe mais fede)