pôr-se na alheta

Diz quem diz que, com origem no árabe alhitan, é o nome das peças curvas que formam a volta da popa de uma embarcação, e será por aqui que surge a expressão.
Francamente, não me parece muito verosímil, mesmo que, sim, alheta seja a zona do costado de uma embarcação entre a popa e o través, daí uma expressão náutica. Também é a parte carnuda e saborosa, entre a barbatana peitoral e a cabeça, normalmente designada por gola.
Ainda mais será se, voltando ao árabe, agora a alkhiyeta, nos referimos ao debrum largo, geralmente metálico, que se usava por na parte superior das mangas do casaco, em especial nos fardamentos.
Agora suponha alguém a fugir. Com certeza que o abanar de tais adornos produziriam barulho. Daí que, dizem outros sobre a matéria, esse ruído teria passado a significar alguém que corria, que fugia, que… se punha na alheta.
Mas, há ainda uma outra probabilidade, mais prosaica: pode ser, tão simplesmente, uma adulteração de palhetas (sapatos), daí, pôr-se nas palhetas.
Que, se escutarmos um pouco a gíria, é o mesmo que pôr-se a mexer ou a bulir, vazar, dar à sola, pôr-se no piro, pôr-se a andar, dar corda aos sapatos ou até pôr-se nas flautas como refere Camilo, na Corja: Às vezes, porém, quando a recebia com grosseiros gestos de enfado, a Troncha dizia ao padre João da Eira, o coadjutor: Não tardo a pôr-me nas flautas!

Alheta, palhetas, andar, sola ou flautas… é só escolher!

 

 

 

(não dormir com gatos, nem dar passos sem sapatos)