até vai a nove

A proposição quer dizer que alguém vai muito depressa, porque tem pressa ou porque foge. Locução já em franco desuso, mas cuja origem pouco mais terá do que cem anos. Os primeiros carros eléctricos (no Porto, que foram pioneiros na Península Ibérica), coexistiram, de 1895 a 1914, com a tracção animal e o vapor.
A partir daí prevaleceu, com exclusivo, a tracção eléctrica.
A condução destes carros é feita através de um manipulo que, rodando sobre um círculo metálico, controla a velocidade através de pontos (um pouco como, por analogia, com as cinco ou seis marchas dos automóveis actuais).
Pontos que são nove. A máxima, a nona, hoje não é nada de especial (e praticamente nunca se usa), mas na altura era tida como uma grande velocidade. Daí que ir a nove, – especialmente nos anos 50 a 70 do século passado – a descer a extensa avenida da Boavista até ao Castelo do Queijo, era tido como ir mais rápido do que o vento…

 

 

 

(quem corre sobre muro, não dá passo seguro)

advogado do diabo

Advogado do Diabo é, efectivamente, uma profissão existente. Pelo menos foi-o, até à sua abolição, em 1983, pelo Papa João Paulo II.
Tida como uma expressão que designa uma tarefa que ninguém por regra deseja, por ir contra a convicção geral, o advocatus Diaboli (designação popular do Promotor Fidei) é o membro da Igreja Católica a quem incumbe levantar objecções em todas as argumentações documentadas num processo de canonização. Na facção oposta, o membro do clero recebe a designação advocatus Dei.

Na verdade, a sua abolição fez disparar o número de beatificações e santificações o que, de algum modo, dá crédito ao significado da expressão que, no seu sentido literal, sugere alguém que defende argumentos nos quais não acredita ou, simplesmente, argumenta para testar e validar a qualidade da argumentação contrária.
(ver amigo da onça)

 

 

 

(rodas e advogados existem para serem untados)