bichos carpinteiros (ter)

Dito usado muito frequentemente que pretende significar alguém (especialmente crianças) que não consegue estar sossegado, calmo ou quieto, tempo algum.
Se atentarmos na expressão com um pouco de atenção verificamos que ela é, aparentemente, pouco explicável. O que serão, na verdade, bichos carpinteiros?
Conhecemos, de facto, os bichos da madeira (designados por caruncho ou gorgulho, existe em Portugal uma grande variedade desses pequeníssimos insectos xilófagos, palavra que designa os animais que perfuram a madeira), mas, o facto é que, entre as suas características, ressalta a sua pouca, ou lenta, mobilidade. Daí…
O que provavelmente aconteceu com esta expressão deveria ter sido resultado continuado da corruptela de uma outra, essa sim com o sentido que se lhe conecta, dizendo esta criança tem bichos pelo corpo inteiro.
(desenho de Pedro Nuno, aluno da Escola Básica e Secundária do Vale do Âncora)

 

 

 

(não busques inquietações; espera, que elas procuram-te)

fazer tijolo

Contam antigos cronistas que, para os lados de Bombarda e Forno de Tijolo, existiu um velho cemitério árabe, que ocupava uma grande parte da encosta. Depois do terramoto de 1755, nos trabalhos de reconstrução de Lisboa, entre os materiais mais usados o barro era, sem dúvida, um dos predominantes. A procura, naturalmente basta e numerosa, estendia-se com afã às cercanias da cidade.
O cemitério árabe foi um dos locais explorados. Abundante em boa terra argilosa, não se fazia grande reparo na mistura frequente das ossadas que, aparecendo, ajudavam a aumentar a massa de barro para a feitura dos necessários tijolos.
Daí que se foi popularizando a ideia de que, morrendo, se ia fazer tijolo

 

 

 

(morre em qualquer lugar quem não tem onde cair morto)