comboios

Desde que existem, os comboios ganharam lugar cativo no imaginário humano. Para isso talvez tivessem contribuído alguns dos mais famosos comboios…
Como o Oriente Express, conhecido como o rei dos comboios ou o comboio dos reis. Nagelmackers fundara, em 1876, a Companhia Internacional dos Wagons-Lits: as carruagens-cama e as carruagens-restaurante, luxuosamente equipadas, transformaram-se na sua imagem de marca. O Oriente Express iniciou-se em 1883 entre Paris e Constantinopla. Demorava oitenta horas.
O Express da Escócia, de 1900, com a sua harmonia e elegância, tudo em tons cor de vinho, foi o símbolo da opulência ferroviária da era vitoriana. Todas as tardes partiam, às vinte horas de Londres para Edimburgo dois comboios (de duas Companhias), um pela costa oeste e outro pela costa leste.
O Comboio Azul ou Le Train Bleu, pela cor exterior das suas carruagens desde 1922, foi criado em 1883 com a designação de Calais-Nice-Rome-Express. Incrementou o sucesso da Riviera francesa e mudou-lhe o nome para Cote d’Azur. Entre os habitués contaram-se Leopoldo III, a rainha Vitória, Gustavo VI da Grécia, Churchill, Hemingway, Coco Chanel, André Citren; Gary Cooper, Brigitte Bardot e muitos mais.
O Transiberiano, ou o comboio de todas as Rússias, foi um dos mais famosos e o mais extenso de todo o mundo, ligando Moscovo a Vladivostok em cerca de dez dias.
O Sud-Express fazia parte de um grande projecto denominado Nord-Sud-Express e, nesse âmbito, a Companhia dos Caminhos de Ferro Francesa e a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses decidiram criar um serviço semanal a ligar Lisboa a Paris. O primeiro comboio partiu de Calais em 24 de Fevereiro de 1887 (há 120 anos…) e, em 1895 passou a circular pela Beira Alta. A viagem Lisboa a Paris demorava pouco mais de vinte e quatro horas e por ela passou grande parte da mais recente história migratória portuguesa. Foi, por isso e ao longo do tempo, fonte de inspiração de muitos autores portugueses…

 

9 comentários sobre “comboios

  1. APC 30 Abril, 2009 / 03:41

    … Não à toa Santa Apolónia terá merecido um pequeno Monumento ao Emigrante!

  2. Ninha 9 Março, 2007 / 13:21

    Ao fim de uns dias sem te ler, vim curiosa. Não pude deixar de me sorrir! Mas, e nem uma palavra sobre o “Foguete”? Reluzente de prata, era a imagem do progresso; gostava de o ver na estação, mas a minha mãe preferia o “Correio”. Saía, noite alta, por um túnel escuro que nem breu, pintado pelo fumo da chaminé e sempre era pretexto para alguém deitar a mão a uma janela e abri-la. Comprimido contra as paredes e impulsionado pelo movimento, em menos de um fechar do vidro já toda a carruagem estava tomada pelo fumo. Depois era o caos, toda a gente de olhos fechados, uns a mandarem imprecações e outros a rirem à gargalhada, entre fungadelas, lágrimas e “cofe-cofes” de gargantas arranhadas. Com a manhã já adiantada, depois de ver a escuridão passar a azul e este ter dado lugar ao nascer do sol, depois de uma mudança de comboio, ter percorrido sinuosas estradas – uma espécie de caminhos largos! – numa camioneta verdadeiramente surrealista e esperar longos minutos, ou mesmo horas, para conseguir lugar em um dos dois únicos táxis da vila, enfim…começavam as férias!

    Como se de uma gostosa conversa após refeição se tratasse, este teu texto trouxe-me a vontade de ficar por aqui a (a)tirar memórias. Obrigada pelo dom de o fazeres tão bem.
    Bjs

  3. Eliane 28 Fevereiro, 2007 / 22:40

    Sou apaixonada por esse tipo de fotografia. E comboios fazem parte das minhas memórias de infância. Durante as viagens que fazia, geralmente com minha mãe, inventava mil histórias; sem contar as vezes em que brincávamos de índio ao redor dos trilhos, uivando como loucos. É bom lembrar desse tempo só de olhar uma foto.

  4. M. 28 Fevereiro, 2007 / 11:50

    É um prazer ler-te também aqui. Adoro comboios, sente-se um fascínuo especial a viajar neles.

  5. greentea 27 Fevereiro, 2007 / 00:21

    há anos atrás , estive a fazer um estágio em Abrantes . O Sud parava lá e para voltarmos mais depressa para casa muitas vezes o apanhávamos – na época a estrada era péssima e o comboio era mais rápido… Mas era sempre um ambiente diferente vir no SUD ou nos outros…

  6. Anónimo 26 Fevereiro, 2007 / 19:59

    …o que eu aprendo por cá!
    e que feliz cada uma destas viagens, como se fosse feita de comboio, de que sou também apaixonada, tal como pelos velhinhos electricos…

    Obrigada Amigo; é tão bom aprender ou recordar!

    Maria Mamede

  7. marta 26 Fevereiro, 2007 / 16:00

    No meu imaginário, os comboios são peças importantes.
    O sonho, esse foi fazer a viagem no Oriente Express, no tempos dos reis ou da Agatha Christie.

  8. dulce 26 Fevereiro, 2007 / 01:56

    Eu adoro andar de comboio e nos meus sonhos está uma viagem que espero fazer ainda. Não, não é nada de espectacular! É tão somente fazer a viagem Lisboa Madrid no Lusitania que parte de Santa Apolónia às 10 da noite e chega a Madrid às 8 da manhã. Maluquice não é? Pode ser, mas adoro ver aquele comboio ali parado e olhar para dentro para aquelas carruagens cama e para a carruagem restaurante. Imagino-me ali e deliro 🙂
    Um dia, talvez! Para depois contar!
    Beijocas

  9. Licínia Quitério 25 Fevereiro, 2007 / 12:06

    Que prazer ter passado por este apeadeiro. O meu imaginário em ebulição. Só viajei no Sud, mas por livros e filmes e sonhos já viajei em todos os outros. E aqueloutro que vai até à Patagónia e onde se bebe chá mate e se aquece as mãos no copo. Não, nunca lá estive. Ou estive?
    Certeza tenho de que foi muito bom ter estado aqui. Agora vou. Outro comboio me chama. Não ouves o apito ao longe?

    Um abraço, Amigo.

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