dourar a pílula

Pequena bola (directamente do latim pílula), este é o formato de um dos mais antigos medicamentos da história humana. Praticamente todas as substâncias com efeitos curativos se podiam reduzir a uma pasta, moldada, depois na forma de uma bolinha, engolível ou mastigável. Mas, no inicio, a pílula era amargosa, desagradável de embuchar (daí uma outra expressão engolir a pílula, ou seja, ser-se obrigado a suportar ou a aceitar algo penoso, mesmo insuportável).
Desde cedo se tentou atenuar essa rudeza de gosto misturando os condimentos medicinais com matérias que lhe disfarçassem o paladar, especialmente açúcar. Foi-se mesmo mais longe e houve a preocupação em modificar o seu aspecto exterior, cobrindo-a com uma finíssima película de ouro (daí o dourar a pílula, para a tornar apetecível). A utilização do ouro na medicina era uma tradição desde os tempos de Plínio e constituiu uma das bases da farmacopeia árabe.

O aurum potabile, ouro potável, no período medieval, foi usado como fortificante, o ouro líquido tratava a epilepsia, o ouro aquecido receitava-se para a icterícia. Uma fina folha de ouro era posta no rosto dos que sofriam de varíola. Em certas circunstâncias, servia também como laxativo dado através de clisteres. Este tipo de terapia à base do ouro foi vulgar até ao sec. XVIII, embora haja ainda notícia de algumas práticas pontuais e circunstanciais nos dias de hoje.

 

 

 

 

(com o que este se cura, aquele vai para a sepultura)

12 comentários sobre “dourar a pílula

  1. sonhadora 22 Abril, 2007 / 23:37

    Sonhos mágicos.
    Beijinhos embrulhados em abraços

  2. Luisa 22 Abril, 2007 / 17:31

    Não fazia ideia que se medicamentava com ouro! Deviam ser caras as pírulas. Talvez não tanto como as de agora, apesar de não terem esse metal precioso…

  3. Anónimo 21 Abril, 2007 / 16:46

    Melhor fora que continuasse a usar-se simplesmente como remédio; ao longo dos tempos tem causado tanta cobiça e consequentemente tanta violência e tanta morte…
    Abraço Amigo
    Maria Mamede

  4. entre linhas 21 Abril, 2007 / 10:20

    Umas quantas pílulas dessas tiravam-me as dores de cabeça. Ai, meu amigo, se tiravam… O pior é que se calhar ficava dependente!
    Bjs Zita

  5. Maria Velho 20 Abril, 2007 / 18:30

    Isto, sem desprimor para o blog, não é um blog! É um diccionário que merecia uma compilação em papel(eu sou muito retrógada no que concerne aos livros…gosto do cheiro, do toque, da beleza das letras impressas em papel,da música das folhas , não da gaveta, mas dos mesmos).
    Ser manêss também é isto..e não carece de ser tartufo!

  6. un dress 19 Abril, 2007 / 22:07

    – boa tarde! queria um copinho de ouro…quentinho.
    ah, e líquido, por favor…
    interessante, muito!
    beijO 🙂

  7. Entre linhas... 19 Abril, 2007 / 17:53

    Mais um post muito enriquecedor emsabedoria…muito bem,sempre a aprender.

    Bjs Zita

  8. Teresa David 19 Abril, 2007 / 18:05

    Vim até aqui que não conhecia, ou talvez já tenha passada há mto tempo, e li de fio a pavio, pois tem um tipo de informação que acho bastante interessante.
    um abraço
    TD

  9. Gi 19 Abril, 2007 / 14:58

    Ainda se utiliza o ouro sim, em alguns compostos de medicamentos para o reumático se não me engano.
    Quando estava a ler isto sorri porqu eme lembrei da cor das cápsulas de óleo fígado de bacalhau, amarelo dourado! Só podia…para esconderem o sabor horrível que giuardam no seu interior.
    Adoro estes pequenos nadas que me engrandecem . Obrigada.
    Um beijo

  10. margarida 19 Abril, 2007 / 13:10

    Aprendo aqui cada coisa!!!!!
    E adoro este aprender.
    Mas já agora vou ensinar como se faz outra pílula para crianças daquelas que, à hora de deitar, sentem sempre uma qualquer dor que as impede de dormir.
    Lavam-se muito bem as mãos, molda-se com os dedos um bocadinho de miolo de pão até ter um feitio de pílula, leva-se um copo de água e diz-se à criança que engula aquele remédio. Juntam-se uns mimos e um ar de preocupação semelhante ao que se tem perante um gripe.
    Em geral a dor passa entre 5 e 20 minutos depois.
    Se não passar, tomar as providências necessárias em relação a uma dor verdadeira.
    Atenção!!! As crianças não estavam a mentir! A dor é que era só nascida da necessidade de atenção. Acontece também com muitos adultos. O problema é que esses desconfiam do aspecto da nossa pílula artesanal.
    É o melhor placebo que já vi funcionar!!!! Não é, mas vale ouro.

  11. M. 19 Abril, 2007 / 11:03

    Gosto das coisas que aprendo aqui.

  12. Anónimo 19 Abril, 2007 / 10:48

    Quem diria que aquilo que usamos na forma de belos ornamentos, em tempos aplicavam-no como laxativo, o ouro! Quem diria!
    Por uma ou outra razão, sempre presente, sempre valioso.
    Embora conste por aí terem havido umas práticas alquímicas “ao contrário”; em vez da sempre perseguida transmutação do chumbo em ouro, tenta-se evitar que o “ouro” se transforme em “chumbo”! Coisas!
    Ninha

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